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Hoje pela manhã gravei uma entrevista muito interessante sobre a solidão vivenciada por muitas pessoas em nossa sociedade atualmente,  especialmente entre os adolescentes.

Falar sobre um tema tão abrangente como a solidão é algo desafiador e gratificante:

Desafiador, pois as causas da solidão variam sempre de pessoa para pessoa. Ou seja, mesmo que haja padrões que se repetem – sobretudo nas formas como esse comportamento é expressado – as causas sempre estarão presentes na história de vida da pessoa solitária e nunca devem ser generalizadas ou comparadas com a história de terceiros. Pois isso poderia favorecer erros.

Abordar este tema é gratificante, pois, dessa forma, é possível problematizar as questões em torno da solidão, favorecendo reflexões que podem ajudar a identificar suas origens e trazer formas mais adequadas tanto nos atos de prevenção como de auxílio às pessoas acometidas por este mal.

Solidão tratamento Elídio Almeida -Psicólogo em Salvador..003

Por isso, aproveitei a entrevista para falar como determinadas características e comportamentos das nossas relações sociais contribuem para que as pessoas sejam solitárias.

As formas altamente exigentes, aversivas ou punitivas com que somos tratados e levados a mostrar sempre as melhores performances para terceiros; associados ao mau uso das tecnologias, redes sociais, inseguranças, individualismos e competições altamente acirradas, têm formados pessoas extremamente despreparadas para lidar com frustrações. E, tudo isso, é ainda mais agravado entre os adolescentes.

Solidão e adolescência.

Pensar na solidão no contexto dos adolescentes é altamente preocupante e merece nossa atenção.

Isso porque é na adolescência – tipicamente um período de desenvolvimento marcante para muitos jovens que estão na transição entre a vida infantil e os desafios da vida adulta – onde ocorre uma pressão muito grande para determinados comportamentos como a autonomia cognitiva, a conquista da segurança emocional, dentre outros fatores.

Dessa maneira, muitos jovens (assim como muitos adultos) quando se veem solitários, podem adotar comportamentos extremos e inadequados para lidar com o sofrimento associado à solidão. Não por acaso, é nessa fase e nesse contexto onde ocorrem muitos processos traumáticos que podem marcar sempre a vida da pessoa, além das incidências dos casos de automutilação ou até mesmo as tentativas de suicídio.

Solidão tratamento Elídio Almeida -Psicólogo em Salvador..003

Durante a entrevista procurei chamar a atenção para as mudanças aparentemente repentinas de comportamento, pois elas podem sinalizar que algo não está funcionando bem e isso pode ser o sinal de alerta para pais, professores, amigos e familiares.

A entrevista será exibida na programação da TV Câmara (sinal digital 61.4), canal da Câmara de Vereadores de Salvador. Além da TV a matéria também estará nas redes sociais da emissora e aqui no blog. Aguardem.

Ninguém me cutuca no Facebook – Nesta semana um dos vídeos mais vistos na internet, certamente, foi o do José Rossoni, aquele rapaz que, visivelmente estimulado por várias doses etílicas, expressou suas emoções e sentimentos, queixando-se: Ninguém me CUTUCA no Facebook.

Veja o vídeo:

Segundo informações publicadas na internet, José Rossoni, 22 anos, estava chateado com o fim do namoro de 4 anos e desabafou, dizendo que ninguém se interessava por ele, nem mesmo o “cutucava” no Facebook.

Cutucar é uma das funções para chamar a atenção de alguém nesta rede social.

Gostei muito do vídeo. Não sei se pelas mesmas razões das milhares de pessoas que já o viram na internet, mas gostaria de refletir com vocês, ainda que superficialmente, sobre algumas questões presentes no vídeo: alcoolismo, expressão de sentimentos e emoções, solidão e estímulos sociais.

Ninguém me cutuca no Facebook psicólogo em salvador

Para começar, que tal uma pergunta?

Por que será que, ao beber, algumas pessoas expressam mais facilmente seus sentimentos, medos e angústias?

Comumente ouço pacientes dizerem que só se emocionam, ou entram em contato com determinados sentimentos e, até mesmo, adquirem coragem para fazer algo (chorar, por exemplo), depois de beber.

O que muitos não sabem é que isso ocorre porque quando o nível de álcool no sangue aumenta, o cérebro humano diminui a ativação da região que controla nossa autocensura. Ou seja, quanto mais álcool, menos restrições.

Menos censura significa menos controle. E menos controle significa que não daremos tanta importância às críticas, aos vexames, aos medos, às regras, às punições e, principalmente, não pensaremos nas consequências de nossos atos.

Devido a isso podemos entender porque algumas pessoas só falam ou fazem determinadas coisas sob efeito do álcool. Ou porque são tão corajosas, ou emotivas, como no caso de Rossoni.

Ninguém me cutuca no Facebook terapia de casal em salvador

Outra coisa que me desperta a atenção sobre este vídeo é a existência de um novo mal social pouco discutido: a rejeição ou solidão digital. É muito comum falarmos da solidão relacionando-a ao “mundo off-line” e quase nunca falamos do “mundo on-line”.  Com a popularização do acesso à internet, principalmente com o “bum’ das redes sociais, esses comportamentos  e os novos males necessitam ser reavaliados.

Talvez seja interessante pensar nas redes sociais como sendo um espelho da vida real. O Facebook, por exemplo, reflete nossos padrões cotidianos. Há pessoas que se interessam por aspectos mais profissionais da rede, outras por atrativos mais lúdicos, há as que são mais populares e outras mais solitárias e menos procuradas, como é o caso do jovem Rossoni.

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Nesse sentido, podemos afirmar que as redes sociais representam padrões comportamentais do espaço “real” de socialização. O que antes acontecia nas praças e nos shoppings, mudou-se para as redes sociais. Da mesma forma que você tinha pessoas mais populares e impopulares, esse padrão também ocorre na dimensão digital. Embora saibamos que quantidade não deve ser utilizada para balizar a qualidade, tanto no ambiente real quanto no virtual.

Ninguém me cutuca no Facebook

O aspecto mais interessante dessa história do jovem Rossoni foram as consequências e os estímulos sociais que o vídeo lhe trouxe. Poderíamos começar a analisar desde o momento em que ele recebeu a atenção do irmão que filmou, conversou e se interessou pela história que estava sendo contada. Mas vamos nos ater a apenas dois pontos.

Você já parou para pensar a quanto tempo Rossoni estava guardando toda essa angustia? Segundo as informações do Facebook ele já estava cadastrado neste rede social há 03 meses, recebendo apenas uma cutucada, de sua melhor amiga, durante este período.

Ele conta em uma entrevista ter percebido que um dos seus amigos recebia muitas cutucadas e respondia as que lhe interessavam. Rossoni disse que, ao cutucar várias pessoas, apenas sua melhor amiga retribuiu (pois ele lhe pediu expressamente que ela fizesse isso). Daí, após visivelmente ter ingerido várias doses de alguma bebida etílica, com seu controle de censura pouco ativo, sem restrições sociais e sem  medo de ser criticado ou punido, o jovem expressou seus sentimentos e emoções.

Como conseguiu expressar o que sentia e, evidentemente, associou tal fato à ingestão de álcool, entendeu que deve beber para conseguir falar o que sente. Mas sabemos que essa não é a melhor forma e que a Psicoterapia pode auxiliar neste processo. Fica a dica!

Terapia de casal em salvador elídio almeida psicólogo

Ninguém me cutuca

Outro ponto que me chamou a atenção foram os estímulos sociais que Rossini obteve graças à veiculação do vídeo e à exposição “descontrolada” dos seus sentimentos. Antes do vídeo o rapaz possuía 93 amigos no Facebook. Após a exibição ele passou a ter 02 perfis com cerca de 5 mil “amigos” em cada um deles.

Antes havia apenas uma cutucada, implorada, da melhor amiga. Hoje ele lidera as listas e grupos daquela rede social, atingindo o limite máximo de cutucadas para um perfil. Antes, um anônimo atendente em uma loja de telefonia móvel, hoje, o vendedor mais conhecido em Porto Velho (RO) e uma celebridade instantânea da internet. Antes solitário no mundo virtual, hoje recebe cutucadas de garotas e garotos de todo o país. Hoje ele não pode mais reclamar: Ninguém me cutuca no Facebook!

Até o momento desta postagem, o vídeo já estava com mais de 1 milhão e meio de visualizações.

Será que isso não faz com que outras pessoas queiram aparecer e se tornarem populares nas redes? E será que não é este desejo que frustra tanto aqueles que não conseguem esse lugar sob os holofotes, sentindo-se, assim, rejeitados e solitários também no mundo virtual? Teremos fama para todos? Quanto tempo dura tudo isso? E a vida, como continua? Vamos refletir um pouco sobre isso?

É muito comum encontrarmos pessoas preocupadas com a solidão ou em como lidar com ela. Solidão parece estar muito mais relacionada a um sentimento do que à falta real de companhia, afinal, pode-se sentir solidão mesmo estando entre muitas pessoas.

como parar de sofrer com a solidão psicólogo em salvador Elidio almeida

Para analisar em particular cada caso de solidão, é importante “mapear” esse sentimento, descobrindo quando ele aparece com mais intensidade, quando é mais fraco, quais são as situações em que ele aparece ou quem está presente ou se ausenta quando ele aparece. Esse mapeamento nos ajuda a nos conhecermos melhor e a lidar com os sentimentos de uma forma mais adequada. Também podemos procurar meios para fazer coisas que nos façam sentir bem.

Solidão e altas expectativas.

A solidão, inevitavelmente, nos leva à reflexão sobre os relacionamentos humanos. Muitas vezes colocamos expectativas altas demais em relação às outras pessoas ou interpretamos as coisas que acontecem de uma maneira que nos faz sofrer mais que o necessário. É comum pensarmos coisas do tipo “o que eu fiz de errado para ser tratado assim?,ninguém gosta de mim!” ou “as pessoas estão sempre com raiva de mim e parecem não notar que existo”… Na realidade, tentamos nos concentrar no que aconteceu, quando na verdade o foco deve ser buscar soluções concretas. Ou seja, “mesmo que algo tenha acontecido; que posso fazer para melhorar isso a partir de agora?”

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Um aspecto interessante a ser lembrado é que nossas atitudes para com as outras pessoas influenciam as atitudes que elas têm conosco. É uma via de mão dupla, uma troca. Assim como as outras pessoas sinalizam se estão bem ou mal e o que esperam de nós, também determinamos ou damos sinais de como os outros devem agir conosco. Normalmente, damos dicas de que não queremos intimidades ou de que queremos nos aproximar. No entanto, nem sempre sabemos se estamos dando corretamente essas dicas ou se elas estão sendo interpretadas como gostaríamos. Às vezes, é necessário reavaliar a maneira pela qual damos esses sinais aos outros.

Essa reavaliação pode ser útil para descobrirmos novas formas de interagir com o mundo e buscar estratégias para diminuir a solidão e outros sentimentos ruins e favorecer as condições que trazem mais oportunidades para que os sentimentos bons apareçam. Porém como nem sempre é fácil fazer isso sozinho, procure ajuda profissional sempre que precisar melhorar seu repertório comportamental.

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