Arquivos Sentimento de culpa - Elídio Almeida

Sentimento de culpa

Por que sentir culpa não resolve os problemas? – No post O que causa o sentimento de culpa? falei sobre alguns comportamentos – nossos e de outras pessoas – que fazem surgir o sentimento de culpa.

A culpa é um sentimento que acompanha muitas pessoas e precisamos levar este problema a sério para trazer mais qualidade de vida para nosso dia a dia. O principal caminho para isso é compreender que sentir culpa não ajuda em nada a resolver os problemas de nossa vida. Ao contrário, se sentir culpado(a) nos deixa, na maioria das vezes, inertes diante da situação, sem ânimo ou motivação para fazer o que deve ser feito.

Por isso devemos descobrir uma alternativa que nos dê mais condição de ação e resultados mais eficazes para lidar com os problemas.

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Não sofrer com a culpa.

Uma alternativa para não sofrer com o sentimento de culpa é procurar substituí-la pela responsabilidade que você tem em cada questão em que se sente ou é levado(a) a se sentir culpado.

Ou seja, antes mesmo de abraçar e introjetar a culpa, você deve refletir sobre a situação, de modo a identificar sua RESPONSABILIDADE sobre o ato, em detrimento da tradicional e punitiva culpa.

Outra dica é refletir que a culpa sempre esteve a serviço das instituições de poder, das autoridades e, especialmente da religião.

Quando alguém ou alguma instituição aponta o dedo e diz que você é culpado, isso faz com que você – na maioria das vezes – sinta-se inferior e impossibilitado de questionar a sentença ou procurar implementar alguma ação para que este ato não se repita. E a primeira consequência disso é o desenvolvimento de algum comportamento compensatório para “sua falha”.

Compensar a culpa resolve?

Compensar é uma maneira que aprendemos culturalmente (este é um dos indicativos da instalação do TOC), mas ela não nos ajuda a resolver os problemas, especialmente por – frequentemente – nos colocar numa situação circular onde a cada vez que nos sentirmos culpados ou nos culpabilizarem por algo, tendemos a procurar algo para compensar este “erro”.

Por exemplo, se magoamos alguém, tendemos a lhe fazer um agrado para compensar a mágoa; se cometemos um pecado, tendemos a fazer uma caridade para compensá-lo; ou, se estamos em dívida com nossa consciência e isso afeta nosso bem-estar, tendemos a fazer algo para melhorar nossa autocensura.

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Quando compenso sinto um alívio. Isso é bom?

Esse modelo de compensação pode até trazer algum benefício imediato para seus usuários, no entanto ele, além de nos colocar numa tremenda circularidade (faz-compensa, faz-compensa…) não resolve efetivamente o problema, pois é uma forma inadequada de lidar com a questão.

Uma dica – com falei acima – que costumo sempre passar para meus pacientes é que devemos encarar esses fatos de forma segura, substituindo a culpa (que tem a função de nos punir e nos por pra baixo) pela responsabilidade (que não isenta nossos feitos, mas nos coloca em condição de reflexão segura e de adoção de novos comportamentos e escolhas).

Como substituir a culpa pela responsabilidade? Isso funciona como?

Pensar em responsabilidade como referencial substituto à culpa nos ajuda a ter um maior potencial de ação para lidar com o problema, favorecendo o desenvolvimento de atitudes mais adequadas nesse enfrentamento.

Por exemplo, quando um homem trai sua esposa e se sente culpado (ou é levado a sentir culpa) ele tende a não ter muitas ações resolutivas para esta questão. No entanto, se, ao invés da culpa, ele se sentir responsável pela ação, poderá rever sua postura na ação ou junto com as outras partes, ir em busca de causas e possíveis acordos sobre o segmento ou não da relação.

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Em outras palavras, o simples fato de olhar os eventos pela ótica da responsabilidade nos mostra que fizemos escolhas que podem ser revistas futuramente, assumimos nossos erros e procuraremos uma forma de não repetir isso novamente se julgamos adequado.

No entanto, quando simplesmente nos sentimos culpados, nada mais nos resta a fazer do que aguardar o dia do juízo final, a sentença da questão ou formas e formas equivocadas de compensar nossa culpa. Pense nisso!

Você sabe o que causa  sentimento de culpa? No post “Você sabe dizer não?” falei um pouco sobre assertividade, um tipo de comportamento que torna você capaz de agir em benefício de seus próprios interesses, expressando seus sentimentos de forma clara, sincera, sem constrangimentos e sem ferir outras pessoas.

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Hoje vou falar sobre sentimento de culpa, um oposto do comportamento assertivo, que se instala quando agimos de forma inadequada e acabamos guardando nossos desejos, cedemos às vontades alheias e essas ações nos trazem prejuízos e arrependimentos.

Quando fazemos algo que julgamos inadequado ou que fere convenções morais ou princípios éticos, sejam eles criados por nós mesmos ou pela sociedade, ficamos expostos à possibilidade de sermos punidos. Por exemplo, quando uma jovem afirma: “Não vejo graça nenhuma nesta festa, pois sei que meu pai está aborrecido comigo por eu ter vindo”, ela sente-se culpada, pois entende que depois vai ter que enfrentar o aborrecimento do pai, as broncas ou até mesmo o corte da mesada. Ou ainda, quando um vestibulando diz: “Não consigo me divertir durante os feriados, pois fico o tempo todo pensando que deveria estar estudando”. Neste caso, o sentimento de culpa surge em função da possibilidade dele ser punido com a reprovação no vestibular se seus concorrentes se saírem melhor na prova.

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A pessoa que se sente culpada experimenta várias sensações desagradáveis como:

  • raiva de si mesma
  • preocupação excessiva com a opinião dos outros
  • mal-estar
  • dificuldade de assumir responsabilidade pelos próprios atos
  • sente-se rejeitada ou vítima da situação
  • dificuldade de expressar os reais sentimentos
  • não consegue dizer “não”
  • tem baixa autoestima
  • procura agradar fazendo algo pelos outros e raramente para si mesma

A grande questão é que, além de enfrentar todos esses comportamentos que estão atrelados ao sentimento de culpa, a pessoa acha que o erro está nela, o que pode agravar ainda mais a situação.

Como se instala o sentimento de culpa?

Como procurei mostrar nos exemplos acima, a culpa se instala em função de haver um julgamento da ação e possivelmente uma punição caso ela não seja aprovada. Ou seja, o sentimento de culpa não surge pelo fato de ter ido à festa ou está curtindo o feriado, mas sim pelo julgamento e desvio do enfoque da ação, que normalmente considera a pessoa culpada.

Para ficar mais claro, vamos pensar o seguinte: o filho faz algo que a mãe não aprova e ela tenta puni-lo verbalmente, dizendo: “Estou triste com o que você fez”; “Sua atitude me entristece”; “Não esperava isso de você”… Observe que as verbalizações da mãe tornam o filho culpado pelos seus atos: “por sua culpa, não dormi”; “por sua causa, seu pai brigou comigo”; “você é culpado da minha tristeza”; “você quer matar sua mãe?”; “não aguento mais você”… O filho que se sente culpado não tem uma visão crítica sobre a função do comportamento da mãe acaba admitindo que seu comportamento (ou, até pior que isso, que é ele) que gera sofrimento na mãe. Como o sofrimento da mãe é algo desagradável, logo, nada mais provável, do que ele reduzir a frequência da ação ou se voltar a fazer, sentir-se culpado por gerar sofrimento à mãe.

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Na psicoterapia, você pode aprender a detectar o funcionamento das condições em que o sentimento de culpa se instala, como ela atinge, não somente a  pessoa que se sente culpada, mas também as demais pessoas envolvidas no contexto, de forma a avaliar a situação criticamente e ter comportamentos mais adequados e assertivos.

Todo esse processo envolve emitir comportamentos que minimizem a possibilidade de punição (autopunição ou punição por terceiros) e aumentar a probabilidade de sucessos de seus atos. O terapeuta procura levar o paciente a reconhecer que emitir comportamentos “inadequados” é fruto do contexto e não de “culpa” ou “responsabilidade” pessoal.

Se há algo responsável pelos comportamentos emitidos inadequadamente, certamente perpassam pelo contexto e pelas relações. Por isso, os esforços de mudança devem ser dirigidos para o contexto e para as relações, não especificamente sobre a pessoa de forma particularizada. Como costumamos sempre dizer: “para obtermos respostas diferentes, devemos ter comportamentos diferentes”.

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