Arquivos Psicossomática - Elídio Almeida

Psicossomática

Isso é psicológico? O que você pensaria se, justamente numa hora em que você estivesse sentindo bastante dor, alguém chegasse até você, olhasse nos seus olhos e dissesse: “Isso é psicológico.”

Sim, simplesmente assim: ISSO É PSICOLÓGICO.

Desesperador, não é verdade?

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Agora, imagine se esse alguém for uma pessoa da sua família (pai ou mãe, por exemplo), seu psicólogo ou até mesmo seu médico? Parece que essa pessoa estaria dando pouco valor à sua dor ou até mesmo fazendo piada com o seu sofrimento, não é mesmo?

Pois é exatamente dessa forma que a maioria das pessoas se sente quando ouve de forma taxativa, especialmente dos profissionais de saúde, que seus comportamentos ou o que estão sentindo é algo psicológico. Por isso, é importante você saber identificar, diferenciar e lidar de forma adequada com tudo isso.

Um dia desses, conversei com uma garota que estava muito chateada. Ela contou que passara o ano inteiro estudando e se preparando para o vestibular de medicina, porém, nas semanas que antecederam a prova, ela começou a sentir muito mal-estar, com dores nas articulações, náuseas e fortes tonturas. Ela fez vários exames que acusaram normalidade em seu organismo e, para ela, a pior notícia veio quando o médico disse: “Você está bem. Seus exames não apresentaram nenhum desvio e você não vai precisar usar nenhuma medicação. O que você está sentindo é psicológico”. Ela ficou perplexa e entrou em #DesesperoTotal.

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Para entender melhor a questão a garota, a família levou-a ao consultório de psicologia, destacando os sintomas que ela referia, a opinião médica e a ideia de que era absurda a possibilidade dela sentir tudo aquilo sem nenhuma causa física ou orgânica aparente. Para eles, a situação não tinha lógica: se há dor, deveria haver algum problema de saúde (físico). A garota também pensava algo parecido. Afinal, para ela sentir o que estava sentindo deveria haver uma causa e esta deveria estar em seu próprio corpo.

No entanto, ao mesmo tempo em que ela endossava as palavras dos que afirmavam não existir razão biológica ou orgânica para aqueles sintomas, pois havia laudos médico comprovando isso, ela sabia o que estava sentido e como aquilo tudo a incomodava.

A situação ficou tão delicada que a garota chegou a pensar que estava ficando louca, que estava delirando ou que estava tendo algum fenômeno sobrenatural. Eram a palavra e sensações dela contra todos os laudos, as opiniões das pessoas e dos profissionais.

O que se passava com ela? Tudo aquilo era fruto da sua imaginação? Seria mesmo algo psicológico?

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Mas afinal, o que querem dizer quando falam que iso é psicológico?

Parece que quando nos dizem que isso é psicológico, estão dizendo algo mais ou menos assim:  “Não é nada”; “Você não tem nada”; “Você está bem, está tudo na sua cabeça”; “É tudo coisa da sua imaginação”; “É só tirar isso da cabeça”. Em outras palavras, psicológico não é nada, emocional não é nada, “coisas da cabeça” não têm importância. Ou seja, se é algo psicológico, a pessoa tem porque quer e pode deixar de ter quando quiser, pela própria vontade. Verdadeiros absurdos!

Infelizmente esse é o padrão de pensamento e atitude que vemos entre as pessoas. Parece ter se tornado muito comum associar comportamentos emocionais, aspectos subjetivos, características não visíveis e não mensuráveis aos olhos comuns, como algo fantasioso, irreal e delirante.

Então, partindo dessa lógica amplamente divulgada em nosso meio, onde uma pessoa sente uma dor, mas essa dor não é nada ou não existe, estamos atestando que essa pessoa é louca e além das questões inscritas no seu corpo, ela também tem problemas mentais. E era exatamente dessa forma que a garota estava sendo tratada, inclusive, ela própria já estava crendo nisso.

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Devemos esclarecer

Diante dessa situação, comecei a observar que muitas vezes falamos algo e não deixamos claro ou não explicamos para a outra pessoa exatamente aquilo que queremos dizer. Ou seja, não somos assertivos.

Ser assertivo significa dizer que eu comunico minhas ideias e expresso meus pensamentos de forma clara e objetiva, me certificando que a outra pessoa compreendeu meu posicionamento, evitando magoá-la ou diminuí-la (saiba mais sobre assertividade).

A partir daí, percebi que muitas pessoas poderiam estar cometendo alguns equívocos na questão da garota. Por isso, procurei não seguir esse modelo. Para deixar as coisas mais claras e assertivas em nossa relação, perguntei a ela qual era seu entendimento quando alguém diz que algo que se sente é psicológico. Com isso, pude tomar como linha de base (ponto de partida) o conhecimento dela sobre a problemática, alinhar meu entendimento, posicionamento e intervenção. Como já era esperado, a garota confirmou a ideia inadequada sobre os tais comportamentos psicológicos. Com isso podemos ter algo que faço muito em meus atendimentos clínicos no consultório: aulinha de psicologia na qual explico alguns conceitos técnicos durante a terapia.

Antes de falar da aulinha, é preciso destacar como muitas pessoas cometem injustiças e como tratam mal os sentimentos e sofrimentos alheios, muitas vezes por não saber – ou ter a preocupação – de se certificar que aquilo que estão verbalizando é exatamente o que está sendo comunicado e compreendido.

Nas aulinhas de psicologia que acontecem durante minhas sessões de psicoterapia, costumo explicar para meus pacientes o entendimento técnico-científico das causas, formas e consequências dos comportamentos. No caso dessa garota, pude fazer o mesmo e falei para ela sobre somatização e doenças psicossomáticas.

Em nosso papo, identificamos que existem diversas situações em que não há causas físicas ou orgânicas para diversas coisas que sentimos. Mas não é adequado entender isso como se fosse uma mentira, um nada, uma fantasia, delírio ou “coisa da cabeça”.

Nós psicólogos, quando dizemos que algo é psicológico, não estamos querendo dizer que aquilo não existe. Na verdade, essa é uma forma de apontarmos que as causas daquele comportamento não são físicas/biológicas (exclusivamente), mas sim emocionais, subjetivas, frutos do próprio contexto e da relação com a pessoa e o meio em que vive. Ou seja, tudo que acontece impacta e altera o nosso funcionamento, o funcionamento do nosso organismo e as relações neles existentes, fazendo com que tenhamos os sinais e sintomas que na maioria das vezes refletem nossa forma inadequada de vida.

Após esse papo da aulinha, a garota sentiu-se mais aliviada. Ela compreendeu melhor a questão e conseguiu buscar a superação e a melhora no seu repertório comportamental. Certamente, tudo o que ela estava sentido tinha causas (físicas ou emocionais) mais profundas e com funções específicas à situação que ela estava vivendo. Na verdade, ela apenas estava somatizando comportamentos inadequados em sua vida. As dores e sofrimentos que ela estava enfrentando cumpriam a função de comunicar que algo não estava funcionando bem em seu ritmo de vida, por isso a psicoterapia seria indicada para ajudá-la a entender melhor tudo isso e encontrar soluções mais eficazes e adaptativas.

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Ter um problema psicológico não significa que faltou “força de vontade”. Uma depressão não significa que a pessoa “quer sofrer”. A síndrome do pânico não quer dizer que todos os sintomas passarão se esta pessoa “souber que não tem problemas em seu corpo, mas sim na forma de perceber o mundo e os acontecimentos”. Ser portador do TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo – não significa que para ficar curada a pessoa deve “apenas parar de fazer o que vem fazendo”. Da mesma forma que ser bipolar não é ser “sem vergonha”.

Por tudo isso, fica aqui minha dica para, antes mesmo de disparar para alguém que lhe pede ajuda ou faz um desabafo, que o que ela está sentindo é algo psicológico, emocional ou “da cabeça” dela, você deve se certificar que ambos estejam lidando com a mesma questão ou informação e não fazendo pouco caso dos comportamentos e sofrimentos alheios.

Certamente, você terá muito mais sucesso nos seus investimentos e compreensão dos fatos e fenômenos sendo claro e assertivo, acessando as causas reais e lidando de forma adequada com as pessoas e suas questões subjetivas. E não esqueça, enxergar certas coisas, especialmente as emocionais não é uma tarefa fácil.

Por isso, sempre que precisar, busque ajuda profissional.

No post “Doença psicossomática, o que é isso?” falei um pouco sobre a problemática das doenças psicossomáticas e como elas se enquadram no cotidiano de muitas pessoas. Nos campos em que é estudada, podemos encontrar várias perspectivas e entendimentos acerca da psicossomática. Mas é importante destacar que a psicologia comportamental entende que as manifestações e emoções apresentados nas “doenças psicossomáticas” são produtos do contexto no qual estamos inseridos. E é justamente esse contexto que vai nos mostrar o que originou e o que mantém a doença emocional.

Hoje, falarei um pouco sobre a relação de um episódio que envolve insônia, ansiedade, dor de cabeça os comportamentos que geralmente são classificados de anti-sociais. Às vezes tudo isso ocorre ao mesmo tempo e precisamos saber qual a função de cada um desses atores para uma interpretação adequada dos fatos.

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A doença psicossomática e a ansiedade

Com certeza você já se sentiu ansioso em alguns momentos da sua vida. Mas, por acaso, você já tentou definir o que é ansiedade? Pois bem, vamos usar um episódio de ansiedade para tentarmos entender um pouco mais sobre as doenças psicossomáticas e sobre o encadeamento de cada ação em nossa vida.

Já ouvi muita gente dizer que tem dor de cabeça porque é ansioso. Que tem insônia porque têm ansiedade. Que tem dor de cabeça psicossomática. Assim como também já ouvi pessoas dizerem que nunca vão a baladas, porque toda vez que vão a estes lugares sofrem com uma série de desconfortos. Essas pessoas comumente são taxadas de pessoas anti-sociais.

Não dá para sair por aí dizendo que tudo e qualquer coisa é uma doença psicossomática. Também não podemos sair por aí dizendo que as pessoas são anti-sociais sem empreendermos seu contexto.

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Para você entender melhor a psicossomática e a ansiedade

Na terapia comportamental, compreendemos a ansiedade como um “estímulo pré-aversivo“. Ou seja, não é o mal ainda, mas gera danos concretos, da mesma forma que o estímulo aversivo em si. Em outras palavras, a ansiedade funciona como o prenúncio do mal, como se fosse um pré-mal, que tem o poder de gerar enormes danos emocionais, ainda que também cumpra a função de preparar o nosso organismo para enfrentar o mal propriamente dito.

Assim, a ansiedade seria a sensação emocional desconfortável diante da certeza ou impressão de que algo ruim está prestes a acontecer.

Com esse entendimento, vamos contextualizar um pouco, para finalmente entendermos que a somatização – ou seja, as manifestações que observamos em nosso corpo, mas que não possuem causas orgânicas – é algo do danosas vivência e não de uma dimensão mágica e superior ao homem, como comumente as doenças psicossomáticas são vistas.

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Um exemplo para ilustrar:

Fabiana já está com mais de 30 anos e sofre muito com isso. Ela quer muito casar e ter filhos. Disseram a Fabiana que ela tem que, toda sexta-feira, ir a uma balada, para poder conseguir um namorado, casar e ter filhos. Ocorre que, todas as vezes que ela foi à tal balada, não arranjou ninguém. Na verdade, começou até a se sentir humilhada com toda essa situação, já que todas as suas amigas sempre conseguem paqueras ou namoros e ela acabava sem ninguém. Toda tarde de sexta-feira, quando está chegando a hora de terminar o expediente e as colegas de trabalho entram em contagem regressiva para a noitada, Fabiana sente-se muito ansiosa.

Toda semana, essa história se repete e ela tem ficado cada vez ainda mais desconfortável com essa situação e uma série de sintomas são sentidos ou vistos em seu corpo. Com o passar do tempo, Fabiana percebeu que, toda sexta-feira, seu desempenho no trabalho estava sendo menor em relação aos outros dias. Ela também passou a ter uma misteriosa dor de cabeça que não passa com nenhum remédio. Nenhum exame dos que ela já fez conseguiu identificar algo errado em seu funcionamento orgânico.

Fabiana tem uma doença psicossomática? Sim, realmente ela sente todas as reações físicas e emocionais da ansiedade. Mas a grande pergunta é: o que efetivamente causou todos esses sintomas? Foi a “doença psicossomática” ou foram outros elementos/eventos do contexto?

Muitas pessoas, inclusive alguns profissionais, são taxativos em dizer: foi uma somatização. Como se isso fosse suficiente para compreender toda a questão, ou que isso, por si só, resolvesse o problema.

Dificuldade para perder peso terapia de casal em salvadorVeja que a balada, que era algo altamente satisfatório para as amigas de Fabiana, tornou-se algo altamente aversivo para a nossa personagem. Logo, toda tarde de sexta-feira passou a ser um pré-aversivo para Fabiana, como um aviso que ela estaria exposta a algo ruim logo mais à noite. A partir daí, dado todo o contexto, surgiram vários sintomas (sintomas, não causas, ok?) como: a misteriosa dor de cabeça, sensação de falta de ar, picadas nas mãos e nos pés, sensação de desmaio, dores no peito e palpitações, boca seca, além da probabilidade de ficar aborrecida com os colegas de trabalho.

A situação pode ficar tão grave que Fabiana pode até generalizar todos os acontecimentos da sexta-feira para as quintas-feiras, quartas… Enfim, pode sentir-se tão ansiosa, o tempo todo e com todos os sintomas acumulados, que passaria a ter insônia e outros sintomas agravados, sendo que a causa real do problema estaria bem distante. Isso poderia enganar várias pessoas, inclusive a própria Fabiana.

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Sei que enxergar a doença psicossomática dessa forma não é assim tão fácil, mas devemos sempre ir em busca das causas reais, para efetivamente implementar o tratamento adequado que foque a causa do problema e não o sintoma, como muitos fazem. Por isso, sempre afirmo aos meus pacientes que as dores, sensações físicas e o sofrimento são reais, mas quando não encontramos as causas orgânicas, devemos buscar as causas contextuais para termos sucesso no tratamento.

Por isso, nunca negligencie seu problema, sua dor ou os problemas ou dores de terceiros. Nada acontece por acaso. Tudo tem uma causa e toda causa um tratamento específico, que pode até fugir à lógica convencional, mas talvez valha a pena conhecer e experimentar.

05/02/2015
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Isso é psicológico?

12/02/2014
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Doença Psicossomática: insônia, ansiedade e dor de cabeça.

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