Arquivos Medo - Elídio Almeida

Medo

Sentir medo é bom. Você concorda com isso? Não? Talvez até o final deste post você concorde ou ao menos compreenderá melhor o que estou tentando dizer.

 

 

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É bem provável que você concordasse com muito mais facilidade se eu dissesse que SENTIR MEDO É RUIM. Não é mesmo? Mas isso também é verdade, pois não é confortável sentir medo. Porém, senti-lo é fundamental para nossa sobrevivência.

Você deve concordar que poucas pessoas gostam ou tem prazer em conviver com o medo. A grande maioria das pessoas não gostam dessa experiência e isso é altamente compreensível, pois, ao sentir medo, experienciamos sensações e comportamentos como: pânico, arritmia, pavor, comprometimento do controle emocional, tremores no corpo, irregularidade dos movimentos respiratórios, ansiedade desmedida… Tudo isso, geralmente, é tido como uma experiência extremamente desagradável. Porém, mesmo diante de tamanho desconforto, o medo pode ter grandes utilidades e trazer vantagens para a nossa vida. Ainda duvida? Vejamos.

 

 

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Sentir medo é bom? Que estranho!

 

Imagine que você tenha sofrido um assalto ou sequestro relâmpago. Obviamente qualquer uma dessas opções seria um episódio traumático. Quando estamos envolvidos numa situação traumática ou de descontrole emocional perdemos um pouco – ou completamente – a habilidade de analisar o contexto em que determinados comportamentos aconteceram e, por isso, na psicoterapia comportamental podemos compreender melhor o acontecido, superar as questões e restabelecer nossa qualidade de vida.

Superar o trauma não significa dizer que você vá deixar de sentir medo. Ao contrário, é esperado que o medo passe a fazer parte de sua vida, porém sem causar danos. Ou seja, ajudando você a se sair melhor nos apuros futuros.

 

 

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Para ilustrar melhor isso que estou dizendo, vou falar de um ditado popular que gosto muito. Esse ditado diz que “brasileiro só fecha a  porta depois que é roubado”. E isso é parcialmente verdade, não é mesmo? Sim, parcial porque a pessoa que é roubada, normalmente, não quer passar por essa experiência novamente, não é isso?

Justamente por isso, passa a viver com o medo de ser assaltada novamente. Com isso, se engaja numa série de comportamentos (consciente ou inconscientemente) para não viver aquilo de novo. Mas nem sempre precisamos ser roubados para procurarmos nos proteger e evitar isso, confere? Por isso digo que o ditado está parcialmente correto. Para se ter ideia, o receio de passar por algo ruim pode desencadear desde uma “neura” por segurança ou até mesmo transtornos psicológicos mais graves, como é o caso do transtorno do pânico. Por isso, até quem nunca sofreu um assalto passa a viver como quem já passou pelo trauma.

Mas como sentir medo pode ser benéfico?

Quando estamos com medo ficamos mais alertas, mais cautelosos e com muito mais critérios para tomar decisões. Nesse sentido podemos entender que o medo cumpre a função de nos deixar mais atentos para evitar episódios traumáticos. Por exemplo, imagine que uma pessoa vai ao caixa de um banco, saca uma quantia relativamente alta de dinheiro. Daí alguém percebe a vulnerabilidade daquela pessoa e lhe assalta ou lhe sequestra. A partir desse evento, essa pessoa fica traumatizada, desenvolve um medo de ir a bancos ou sacar dinheiro. Passando a sofrer de um medo excessivo que sequer sai de casa.

Observe que se houvesse um tratamento adequado após esse episódio o medo não tivesse avançado a níveis tão prejudiciais e limitadores. Poderíamos, desse modo, dizer que o medo que ela estava sentindo era algo benéfico, pois estaria lembrando à vítima que ela precisaria ter mais cuidado em outros eventos análogos.

 

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Com isso, é importante que você saiba que ter medo é altamente benéfico para nossa sobrevivência. Foi assim com nossos antepassados que viveram nas florestas e cavernas e sobreviveram ao ambiente muitas vezes hostil e altamente perigoso. Eles certamente sentiram medos e esse medo fez com que eles procurassem se proteger das ameaças e buscar uma vida mais confortável e segura.

Por isso é esperado que, considerando a curva normal dos nossos comportamentos, tenhamos medo também em nossa selva contemporânea que também nos oferece muitos riscos e ameaças. Significa dizer que enquanto tivermos medo, procuraremos nos proteger e nos defender para garantir nossa sobrevivência.

Todavia, o investimento nessa proteção deu tão certo ou trouxe resultados tão bons que muita gente perdeu o controle sobre isso e passou a viver somente em função desse medo (ou tentativa de construir o contexto mais confortável possível para si), cometendo exageros nas dosagens dessa proteção e dessa cautela que deveria ser produtiva, mas acaba sendo causadora de mais sofrimento, isolamento e instalação ou surgimento de vários transtornos psicológicos.

Se você percebe que seus medos não estão trazendo esse (bom) resultado que é esperado para os comportamentos humanos; é hora de buscar ajuda. O mesmo vale se você tem limitado sua vida ou suas relações por conta desse futuro visto como assustador. Nesses casos está na hora de buscar ajuda profissional para tratar desta questão.

 

 

Um leitor do blog escreveu solicitando um post no qual eu falasse sobre dois tipos de medo: o medo do novo e medo do desconhecido.

Essa tem sido uma demanda de muitas pessoas que passam por enormes dificuldades e limitações. Justamente por não saber lidar com essas questões que envolvem o medo. Muito por isso elas têm procurado ajuda profissional para lidar melhor com tais questões. Antes de falarmos especificamente sobre o medo do novo e o medo do desconhecido, vamos entender um pouco mais sobre o comportamento do medo.

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Primeiramente, precisamos entender que o medo é uma emoção absolutamente normal. Portanto, é esperado que todo ser humano tenha medo. E há várias subcategorias para o medo. Dentre elas, o medo normal e o medo patológico.

O medo normal seria aquele medo parecido com a ansiedade normal. É o medo que nos leva, por exemplo, a pensar nas consequências dos comportamentos. Ele também nos protege, fazendo com que estejamos sempre alerta para qualquer situação de perigo que possa acontecer. Nesses casos, o medo pode ser considerado um aliado, pois ajuda a pessoa a se preparar e se planejar para enfrentar situações, como uma entrevista de emprego ou até mesmo falar em público.

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Já o medo patológico, conhecido também como fobia, é aquele visto como inimigo. Ele está presente no dia a dia da pessoa, impedindo que ela faça as tarefas que causam medo. Nesse caso, a pessoa evita, a qualquer custo, enfrentar o medo ou ter a experiência. Ela passa a acreditar que tudo, ou quase tudo, representa perigo. No medo patológico, a pessoa se fecha, se mostra irredutível e pode até se sabotar ou ficar paralisada diante de determinadas situações. É como costumo falar com meus pacientes, a maioria das pessoas têm medo de viajar de avião, mas viajam normalmente. Porém existem aquelas que o medo é tão grande (fobia), que elas não entram num avião, de maneira alguma.

Você tem medo do desconhecido? Saiba se esse medo é normal ou patológico 

Se você tem medo do novo e do desconhecido, saiba que esses medos podem ser classificados como medo normal ou medo patológico. Muitas pessoas sentem medo ao iniciar um novo curso, com pessoas e ambiente nunca antes conhecidos. Sentem medo diante de um novo emprego, uma nova cidade ou vizinhança. Enfim, há realidades sociais que podem gerar o famoso medo do novo e do desconhecido. O “medo do novo” seria aquele que a pessoa já tem um conhecimento ou vivência sobre a situação, mas passará por alguma mudança ou adaptação. O “medo do desconhecido” seria aquele que a realidade mudará completamente e a pessoa vai começar do zero a sua interação com essa nova realidade. A forma com que a pessoa lidará com esse medo – enfrentando ou fugindo – é que dirá se é um processo normal ou patológico.

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Medo do desconhecido: sintomas

Qualquer um dos medos terá em sua experiência uma relação muito íntima com altos níveis de ansiedade. Afetará seriamente os aspectos emocionais, cognitivos e os comportamentos físicos, causando uma série de sintomas: tremores, dores musculares e no peito, palidez, mudança de temperatura de corpo, sensações de ardor, fadiga, dificuldade em falar e andar, excesso de energia, muita agitação, contracções musculares, tensão, sensação de queda ou desmaio, aumento do vontade de urinar, calafrios, dormência e formigamento em partes do corpo formigueiro, perda de sensibilidade, dificuldade em respirar, tonturas, redução da capacidade auditiva, descontrole emocional, náuseas, falta de apetite ou de paladar.

Nessa situação, devemos levar em conta que nós, seres humanos, temos algumas características que nos diferenciam dos demais animais. Dentre elas, a habilidade de aprender através da experiência de outros seres. Isso significa dizer que, num dado processo de mudança, basta termos a informações da experiência vivida por outras pessoas. Nós usamos essas informações quando estamos perto de viver uma experiência semelhante.

A partir disso, projetamos nossa atuação na referida situação e logo já concluímos que não será algo agradável. Ou seja, ficamos com medo de algo que nem conhecemos ou experimentamos. Por exemplo, uma pessoa que nunca andou de montanha-russa e está na fila prestes a subir no brinquedo. De repente as pessoas começam a sair com cara de enjoo, demonstrando tonturas e dizendo que foi horrível. Possivelmente, quem está na fila terá seu medo aumentado em função das informações que acabara de receber. Lembrando que, em condições de medo normal, ela irá até o fim para ter sua própria conclusão sobre o brinquedo. No medo patológico, a pessoa poderá até desistir do brinquedo.

Medo do desconhecido e a zona de conforto

Outro fator que merece ser destacado é a famosa zona de conforto. Zona de conforto  é aquela sensação de controle e bem estar que sentimos em determinado contexto ou situação. Ela nos faz sentir muito mais à vontade naquilo que conhecemos, pois temos propriedade e domínio sobre aquilo. Sair desse contexto para outro em que tenhamos que enfrentar mudanças ou começar tudo do zero não costuma ser uma ideia muito agradável. É uma característica do homem lutar sempre pelo controle da situação. Assim, sentimos medo quando temos que sair do nosso campo de domínio. Algumas pessoas até enxergam oportunidades e melhorias fora da zona de conforto. Mas quando ponderam tudo o que terão que mudar, adaptar ou enfrentar, terminam optando por ficar onde estão.

É como o caso em que a pessoa está numa relação totalmente desgastada, sem perspectiva de futuro promissor. Mesmo assim, quando cogita terminar, ela pesa mais a possibilidade de ficar sozinha, a idade e outros aspectos com viés altamente negativo. Têm mais a função de argumentar as desvantagens da mudança, do que efetivamente enxergar a realidade ruim em que vive. Com isso a pessoa termina achando-se incapaz de conquistar um novo amor, que não saberia começar de novo com outra pessoa e termina por ficar inerte, acreditando que um dia a relação já fracassada pode vir a mudar.

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Mesmo nas situações mais adversas, muitas pessoas preferem enxergar apenas o perigo fora da sua zona de conforto, quando poderiam efetivamente ter mudanças fundamentais em sua vida.

Medo do desconhecido: não fuja!

Se você sofre com qualquer um desses medos, a solução é não negar ou fugir. Se você foge dele ou o nega, mais forte e poderoso ele se torna, a ponto de controlar a sua vida. Explore seu medo, tente entender o que está por trás dele, o que o mantém e pese os prós e contras de cada escolha. Busque ajuda de um profissional habilitado e de sua confiança para ajudar você. A psicoterapia comportamental é uma abordagem que tem tido bons resultados no tratamento dos medos e da fobia. A cada dia, muitas pessoas têm descoberto novos entendimentos e soluções para seus problemas e têm ganhos significativos em suas vidas. Seja o próximo a ter mais qualidade de vida e viver de forma mais espontânea e normal.

16/03/2015
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Sentir medo é bom. Você concorda com isso?

17/02/2014
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Você tem medo do desconhecido?

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