Arquivos automutilação - Elídio Almeida

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Ultimamente tem sido cada vez maior o número de jovens e adolescentes que têm apresentado um transtorno psicológico grave: a automutilação. Usualmente, a automutilação ocorre quando o paciente agride o próprio corpo com arranhões, cortes ou outras intervenções; sempre que sente  tristeza, raiva, nervosismo ou vivencia algum trauma. Entenda.

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Estudos apontam que as meninas são as principais vítimas deste transtorno e o tratamento deve ser iniciado o quanto antes para evitar consequências mais graves. Todos sabem que a adolescência é uma das fases mais complexas experienciadas pelas pessoas, dentre outros motivos, pela marcante transição entre fases bem distintas (infância e vida adulta) e pela grande quantidade de recursos e informações que o adolescente tem que administrar: vestibular, namoro, sexualidade, pais, grupos, moda, escola, certo, errado… Enfim, é a fase onde a personalidade ganha formas mais concretas.

Todos sabem, também, que é nesta fase em que os adolescentes enfrentam muitos conflitos de ordem psicológica e emocional e, muitas vezes, não sabem como lidar com isso. A dificuldade para expressar sentimentos e emoções é bem característica nessa época. Assim, tentam resolver as coisas ao seu modo e pelas razões mais diversas, acabam praticando a autoagressão física (automatização).

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Automutilação: uma dura realidade

A automutilação mais comuns incluem diversos comportamentos, dentre eles:

  • esmurrar-se,
  • chicotear-se;
  • morder-se;
  • apertar ou reabrir feridas;
  • queimar-se; furar-se propositalmente com objetos pontiagudos;
  • ingerir agentes corrosivos e objetos;
  • bater com a cabeça na parede;
  • cortar a pele, arrancar ou puxar o cabelo;
  • beliscar-se;

Há também a prática de envenenar-se por overdose de remédios ou produtos químicos (ainda que sem intenção de suicídio, porém com maior predisposição ao risco). Embora 60% dos automutiladores nunca tenha tido pensamentos suicidas, esse comportamento pode ser o gatilho, pois, pode acidentalmente resultar em suicídio.

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Estudos apontam que as mulheres são mais vulneráveis a este comportamentos e os alvos usuais para a automutilação são os braços, pernas e dorso, áreas de fácil contato e também fáceis de serem escondidas sob a roupa; áreas que teoricamente podem ser cobertas ou disfarçadas.

Porém, essa pode ser a principal pista deixada pelas pessoas que se automutilam, o uso constante de roupas longas, muitas vezes inapropriadas para algumas épocas ou situações. Por isso, pais, familiares e professores devem estar alertas para essas mudanças de comportamentos. Como costumo dizer aos meus pacientes, qualquer mudança no comportamento é sinal que algo mudou no contexto e por isso devemos ficar atentos a qualquer alteração, pois ela pode sinalizar que o adolescente está sofrendo ou passando por um problema grave e necessita de nossa ajuda.

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A mente de quem se automutila

As pessoas que praticam a automutilação informam que encontram alívio para seus problemas com essa prática. Porém, muitas pessoas acham um absurdo alguém cortar o próprio braço, por exemplo, sob o argumento de que encontra alívio nessa autoagressão.

Talvez muitos não compreendam, mas isso ocorre mais ou menos assim: uma pessoa está muito triste porque terminou o namoro, foi humilhada em público ou abusada sexualmente; como não estava preparada para isso, enfrenta uma dor emocional insuportável, pois ela nunca viveu algo parecido e não sabe como enfrentar a situação. Nesse contexto, quando ela corta a própria pele, enfrenta uma dor que consegue superar a dor emocional e psicológica.

É como se ela resgatasse situações parecidas com dores provocadas por outras lesões em seu corpo: arranhões, injeção, quedas, machucados, cortes por acidentes… e, ao sentir a dor provocada por essas lesões, outros incômodos são deixados de lado (ainda que momentaneamente).

Assim, a pessoa tem, “teoricamente”, duas vantagens:

  • a dor física assume o foco dos pensamentos e sofrimento da pessoa, fazendo com que ela se desligue, ainda que momentaneamente do problema anterior, fazendo com que a dor física se torne mais intensa e suprima a dor emocional;
  • a dor física apresenta-se como mais fácil de administrar, pois é mais próxima de outras experiências da própria pessoa.

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Ocorre que, em função desses “ganhos” secundários que a pessoa acredita obter com a automutilação, pode fazer com que esse comportamento torne-se um vício, pois, parece ter a função de autorregulação dos sentimentos; fazendo com que esse comportamento seja instalado em seu repertório.

Além disso, a baixa autoestima e a dificuldade de expressar sentimentos e emoções é comum entre os automutiladores, tornando-os pessoas mas sensíveis e vulneráveis aos comportamentos inadequados. Também, muitas dessas pessoas convivem em ambientes agressivos, repressores e de poucas relações interações sociais e interpessoais amistosas.

Negligência na infância, isolamento social e condições instáveis de vida são fatores de risco para os casos de automutilação. No geral, são pessoas que cresceram sem saber como expressar e lidar com sentimentos como o ódio ou a tristeza, direcionando a dor emocional para si. A automutilação pode ser instalada por certos eventos como a rejeição por alguém importante, a sensação de estar errado ou ser culpado por algo de que a pessoa não tenha controle.

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Tratamento para automotilação

Ainda não existam medicamentos que tratem a automutilação. A utilização de alguns remédios recomendados pelos psiquiatras para outros transtornos podem não surtir efeito duradouro, pois não é voltado para a causa dos problemas emocionais e sim são voltados meramente para os sintomas dos comportamentos de autoagressão.

Uma alternativa que tem se mostrado bastante eficiente é a terapia comportamental. Nela, as pessoas aprendem habilidades que podem ajudá-las a tolerar o estresse, regular as emoções e melhorar seus relacionamentos, tudo isso voltado à raiz do(s) problema(s), de forma a obter os melhores e mais resultados e bem-estar.

Ademais, os automutiladores podem aprender outras formas de aliviar o estresse, lidar com as emoções negativas e superar as dificuldades.

13/09/2012
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Automutilação:
a dor física para enfrentar a dor emocional.

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