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Suicídio

O que leva uma pessoa a tentar um suicídio? Se você quer saber quais motivos leva alguém a tentar o suicídio, está passando por momentos ruins em sua vida ou ainda conheça alguém nessas condições, leia atentamente ao texto.

São vários os motivos que levam uma pessoa a pensar ou tentar se matar. Geralmente esse comportamento é consequência do acúmulo de múltiplos fatores e experiências mal sucedidas presentes no histórico de vida da pessoa. Do mesmo modo, o surgimento de uma emoção negativamente abrupta pode, tirar dela a vontade de viver. Episódios desse tipo levam estas pessoas a compreender que não conseguem lidar com as próprias frustrações. Por isso, nessas ocasiões, muitas delas tentam suicídio.

Para alguém que tenta tirar a própria vida, o suicídio é visto como uma saída, fuga e até mesmo uma forma de dar um fim aos problemas. Pensar dessa maneira, é uma grande ilusão. Muito embora o suicida não veja dessa forma no momento da crise.

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Discutir sobre o comportamento suicida é fundamental. Mesmo com os tabus que rondam este tema, abordar estas emoções têm um caráter preventivo. Quanto antes compreendermos e tratarmos os sentimentos relacionados ao suicídio, mais fácil será superar as dificuldades, trazendo ou restaurando a qualidade de vida

O que leva uma pessoa a tentar um suicídio?

    • Chantagens emocionais
  • Crises psicológicas

Até mesmo não conseguir comprar um bem material, estão entre as principais causas para tentativas de suicídio na atualidade.

Isso demonstra que qualquer desilusão que ocorra na vida de uma pessoa com baixa tolerância à frustração pode desencadear uma ideação suicida, tentativa ou até mesmo a consumação do ato.

O papel das emoções

Nossas emoções são bens altamente valiosos. Por isso devemos dar a devida atenção aos sentimentos (nossos e das pessoas que nos rodeiam).

Constantemente recebo em meu consultório pessoas interessadas em compreender o  que leva uma pessoa a tentar um suicídio. Muitas vezes elas identificam familiares ou amigos que encontram-se frustrados, depressivos ou vulneráveis. Elas sempre desejam saber o que fazer quando uma pessoa começa a dar sinais que pode se matar. Costumo sempre dizer que todos os comportamentos devem ser respeitados e valorizados.

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O que não dizer a uma pessoa que está pensando em suicídio?

O mais preocupante são os casos em que familiares e amigos não conseguem enxergar ou dimensionar os sinais que a pessoa emite quando começa a pensar na possibilidade do suicídio. Mesmo quando isso é externado ou percebido, parentes e amigos tendem a não dar o devido valor a estes alertas. “Vai passar… ”, “É assim mesmo…” “Isso é só uma fase…”, “Você tem que ser forte…“.

Estas são as maneiras como pessoas que não conhecem a gravidade do assunto costumam lidar com esta situação. Ignoram aquilo que pode estar sendo uma forma de solicitar ajuda.

Coisas desse tipo devem ser evitadas. Agir dessa forma é como se não estivessem dando a devida importância ao “pedido de socorro”.

Boas intenções para motivar, funcionam?

Ainda que estejam imbuídas das melhores intenções, ao dizer coisas como  “Vai passar… ”, a mensagem que normalmente chega a pessoa que tenta suicídio  é completamente outra: Não vejo nada demais nisso”.

A ideia é motivar a pessoa a sair daquela situação, mas resultado termina sendo o oposto. Ainda que consigam um resultado paliativo ou uma melhora instantânea, aquilo não tem consistência e duração. Ao refletir sobre as “palavras de conforto”, a pessoa sente-se incompreendida.

Quem tenta ajudar dessa forma, acaba somente tentando desviar o foco. Ou seja, provocam ainda mais frustração para aquela pessoa que já está mal. Mesmo sem querer pioram ainda mais o quadro.

O recomendado, na verdade, é tentar acolher e aprofundar a questão. Somente assim estariam dando um suporte adequado. Mas fazer isso não é fácil e exige técnica especializada no assunto. Para isso é importante compreender o que leva uma pessoa a tentar um suicídio.

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Falar em suicídio é um tabu.

Ainda hoje falar sobre sentimentos e pensamentos suicidas é um tabu para a maioria das famílias. Por esta razão, é de fundamental importância compreender o que pode levar uma pessoa a tentar suicídio. Ademais, buscar ajuda profissional para lidar de forma adequada com as emoções e as situações que envolvem o suicídio é salutar.. Especialmente naqueles momentos em que estas emoções estejam associadas a momentos de tristezas, melancolias, frustrações, perdas, quadros de ansiedades e depressão.

Infelizmente as pessoas costumam buscar ajuda qualificada somente quando a situação já está na iminência de uma tragédia. Isso é válido, pois o mais importante é salvar preservar vida. No entanto, o quanto antes as feridas emocionais forem tratadas, mais chances de sucesso teremos. O tratamento preventivo vai além de manter a pessoa viva. O propósito é superar as dificuldades e trazer de volta a motivação para viver com qualidade de vida.

O título acima é bastante impactante. Ele reflete os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e demonstra que na Bahia, em média, mais de uma pessoa comete suicídio por dia. Este número poderia ser ainda mais alarmante. Como sabemos, nem todas as mortes por suicídio são classificadas dessa forma. O cenário seria mais assustador se fossem consideradas também as tentativas de suicídio.

Tabus, preconceitos e falta de acesso sobre o real motivo do óbito ou das tentativas de tirar a própria vida, podem mascarar estes dados. Nem sempre as tentativas são conhecidas pelos parentes, amigos ou entidades de saúde. Muitas vezes, por vergonha, a própria pessoa ou a família acaba negando os fatos e trazendo outras causas para esconder as tentativas ou o próprio suicídio. Isso demonstra que ainda sabemos pouco sobre causas e consequências deste comportamento tão danoso.

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A situação é ainda mais preocupante.

Registros da OMS e de outros órgãos de saúde ligados à questão do suicídio não conseguem mensurar com precisão os casos de tentativas. As emergências médicas, os consultórios de psiquiatria e psicologia lidam com muita frequência com pessoas que tentaram suicídio. No entanto, não existem registros públicos sobre as tentativas de suicídio (até porque nem todos buscam ajuda profissional). Mesmo assim, é seguro afirmar que elas abrangem um universo ainda maior que os casos concretizados que aparecem no título deste post. Em minha realidade clínica, por exemplo,  2017 foi o ano em que mais atendi casos de ideações e tentativas de suicídio. Isso é preocupante e diz muito sobre como as pessoas estão sofrendo emocionalmente ou lidando com seus problemas.

As estatísticas mostram que um milhão de pessoas no mundo cometem suicídio por ano, segundo a OMS. No Brasil, suicídio é a terceira causa de morte na juventude, atrás apenas de homicídios e acidentes de trânsito, de acordo com o Mapa da Violência (2014). Somente aqui na Bahia, até a primeira semana do mês de novembro de 2017, o estado já tinha registrado oficialmente 373 suicídios. Os jovens com idades entre 15 e 29 anos representam 23% dos casos.

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Sinais para saber se a pessoa pode cometer suicídio.

O suicídio ainda é tabu. Muitas poderiam ser prevenidas se os sinais e fatores de risco associados ao ato suicida fossem identificados e tratados adequadamente. As primeiras pistas deixadas por quem pensa ou está vulnerável ao suicídio são:

    • manifestações de sofrimento psíquico,
    • mudança de comportamento,
    • tristeza,
    • isolamento,
    • irritação com facilidade,
    • agressividade
    • perda da esperança de viver.

Muitas vezes ela até tenta ser uma pessoa alegre e otimista, força a barra para mostrar que está bem. Na verdade, tudo isso pode ser apenas uma fachada para esconder uma tristeza ainda maior. Por isso é tão importante estar atento e contar com suporte profissional. Especialmente nestas situações onde os comportamentos mudam para comunicar algo.

Amigos e parentes próximos são as primeiras pessoas que têm os primeiros contatos com as ideações suicidas. Estas ideias de morte denunciam que aquela pessoa sofre uma dor emocional muito grande. Às vezes já no limite suportável.

Quando alguém está pensando em tirar a própria vida, é importante acolher a pessoa. Isso significa estar disposto e preparado a ouvir sem julgamentos as intenções de tirar a própria vida. Estas intenções podem aparecer direta ou indiretamente. Frases como: “se pudesse, eu dormia e não acordava”, “minha vida não tem sentido”, “eu sou um fardo” ou “morrer seria um alívio para mim”, denunciam o risco de suicídio.

Para uma pessoa frustrada ou deprimida, a ideia de morrer soa como uma forma de resolver os problemas. Porém isso é uma ilusão.

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Como tratar os casos de tentativa de suicídio?

Os casos de tentativa de suicídio ou ideação suicida devem ser tratados com a psicoterapia realizada por um psicólogo habilitado para este assunto. O tratamento deve ser associado a intervenção medicamentosa prescrita por médico psiquiatra. Na terapia comportamental, a proposta é trabalharmos nas causas daquele sofrimento. Durante a terapia são construídas possibilidades possíveis de solução para os problemas buscando a qualidade de vida do paciente. Esteja atendo aos sinais de alerta e fuja das trágicas estatísticas relacionadas ao suicídio.

Como falei no post anterior (Suicídio: o que você precisa saber para lidar com essa situação antes que seja tarde demais), a pessoa que tem pensamentos suicidas deixa vários sinais, antes de partir para execução do ato. E todos esses sinais são quase sempre reconhecíveis e previsíveis. Por isso, todos os esforços precisam ser feitos para identificarmos o quanto antes esses sinais, para poder oferecer ajuda e tratamento. Para tentar impedir o ato suicida.

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Quanto mais cedo for o diagnóstico, o tratamento terapêutico e prevenção daquelas pessoas que emitem gestos ou tentativas de suicídio, maiores são as chances de evitarmos uma tragédia maior.

As tentativas de suicídio são gritos de socorro.

Sabemos que tentativas e atos suicidas são gritos de ajuda. Ainda que inconscientemente, as pessoas choram por socorro ao emitir todos os sinais que prenunciam os planejamentos ou ideias de tirar a própria vida. O grande prejuízo em tudo isso, é que muitas pessoas na nossa cultura costumam rotular esses sinais como meras tentativas de chamar a atenção. E, muito por isso, ignoram os sinais. Ou, quando se dão conta do risco que eles anunciam, já é muito tarde e nada mais pode ser feito.

Por isso essas “comunicações” precisam sempre ser consideradas. Muitas vezes, elas podem conduzir para comportamentos impulsivos ou imaturos e, possivelmente, para o suicídio.

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Como saber se uma pessoa pode tentar se matar?

Como nas relações de convivência com as pessoas sempre podemos entender e conhecê-las melhor, eis aqui uma lista com os 20 sinais que frequentemente são apresentados pelas pessoas que têm potencial para cometer o suicídio. Nessa lista, encontram-se fortes fatores importantes com relação à idade, sexo, sexualidade, saúde, família, bem estar, estado físico e fatores psicossociais.

20 sinais que uma pessoa demonstra antes de cometer o suicídio*

  1. Tentativa anterior de suicídio, com intenção real de morrer (não atrair atenção);
  2. Ansiedade, depressão, alcoolismo, quadro psicótico e estado de exaustão;
  3. Tentativa premeditada e ativamente preparada;
  4. Disponibilidade dos meios para o suicídio (recursos e métodos violentos e letais à disposição: remédios, armas…);
  5. Preocupação com o efeito do suicídio sobre os membros da família;
  6. Ideação suicida verbalizada aos parentes ou amigos;
  7. Preparação de testamento, cenas de despedida ou planejamento do velório;
  8. Acontecimento traumático próximo, como: luto, cirurgia iminente, término de relacionamento amoroso, dentre outros fatores;
  9. Casos de suicídio na família;
  10. Mudança das condições de saúde ou estado físico: doença crônica, acidente com sequelas físicas…;
  11. Início ou término de tratamento com medicação psicotrópica;
  12. Intoxicação por álcool ou outras drogas;
  13. Sentimento de desesperança, pessimismo, sentimento de inferioridade constante, auto estima baixa, sentimento de culpa;
  14. Melhora súbita do humor depressivo;
  15. Família suicidogênica (facilita ou ignora os sinais e tentativas de suicídio);
  16. Preocupação para evitar intervenção: como isolamento ou minimização do risco de descoberta;
  17. Nenhuma ação para pedir socorro após alguma tentativa que não tenha levado à morte;
  18. Pessoa com remorso por sobreviver da tentativa;
  19. Crises com idade, sexo e estado civil;
  20. Conflitos ou insegurança com a sexualidade: homossexualidade, impotência sexual…

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Esteja sempre atento a si mesmo e as pessoas próximas (parentes, amigos, conhecidos…) quanto a manifestação desses e de outros sinais e comportamentos que podem refletir uma possibilidade de suicídio. Embora realmente existam muitos casos em que a pessoa usa ou simula uma tentativa de tirar a própria vida pra chamar a atenção, pode acontecer que, numa dessas investidas, uma tragédia efetivamente aconteça. Por isso, nunca ignore nenhum desses pedidos de socorro que são feitos com palavras e ações da lista acima.

* Meleiro AMAS, Wang Y-P. Suicídio e tentativa de suicídio. In Louzã Neto MR, Motta I, Wang Y-P, Elkis H (eds).Psiquiatria básica. Porto Alegre, Artes Médicas, 1995; 376-96.

Suicídio – Vários episódios podem surpreender negativamente a vida de uma pessoa. Muitas vezes, surge uma grande frustração ou perda significativa, como término do namoro, desemprego, solidão. E tudo isso provoca uma imensa tristeza, falta de perspectiva no futuro, melancolia e depressão É como se não valesse mais a pena continuar vivo.

Às vezes essa tristeza é tão grande e sem perspectiva de mudança ou melhora, que o suicídio passa a ser para a pessoa, naquele momento, a única solução possível. Claro que a situação pode ser muito delicada, mas sempre podemos encontrar uma solução adequada para cada caso.

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Tentativa de suicídio não é brincadeira.

Sem somobra de dúvidas, todos os casos que envolvem ideações suicidas ou as tentativas de tirar a própria vida estão relacionadas com o contexto em que a pessoa vive. Assim, se compreendermos bem esse contexto e tivermos tempo hábil para mudá-lo, pode ser que haja perspectiva e até aconteçam coisas boas

Ocorre que, nesses momentos, a pessoa está tão desesperada e deprimida que enxerga apenas os acontecimentos negativos em detrimento dos positivos. Da mesma forma, enxerga apenas as consequências imediatas de tudo e nunca – ou com muita dificuldade – vê solução a longo prazo.

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Se tudo isso estiver relacionado a uma perspectiva pessimista dos fatos ou ao perfeccionismo nada realistas ao se autoavaliar, pode ser ainda mais delicado. É como se houvesse um ciclo cognitivo prejudicando o processo levando a pessoa a ter uma:

  1. visão negativa de si mesmo;
  2. visão pessimista do mundo e do futuro;
  3. falha na organização estrutural do pensamento;
  4. processamento incoerente das informações e dos comportamentos.

Em outras palavras, a pessoa não percebe nenhuma solução ou possibilidade de um futuro melhor. Ela passa a viver o drama de querer tirar a própria vida. E muitas pessoas têm feito isso de diversas formas e com vários objetivos. Na maioria dos casos, há uma combinação entre fatores predisponentes (genética e transtornos mentais), com fatores precipitantes (como perdas afetivas, fim de namoro, desemprego, desamparo e luto, por exemplo).

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Dados sobre suicídio na Bahia

De acordo com recentes dados divulgados pelo NEPS – Núcleo de Estudos e Prevenção do Suicídio e pelo CIAVE – Centro Antiveneno da Bahia, todos os dias, pelo menos três pessoas tentam o suicídio na Bahia. A maioria dessas tentativas parte dos jovens com idade entre 15 e 29 anos. Além disso, na época das festas de fim de ano (especialmente no Natal), esse número aumenta em até 40%.  

No geral, a maioria dos casos de suicídio (ou tentativa) têm vínculo com a depressão. Entre os mais jovens, além dos que se deprimem, existem aqueles que agem por impulso. Se tiverem uma briga ou discussão com os pais, se o namorado ou namorada ameaça terminar, agem com total impulsividade. Essas pessoas agem não pensando nas reais consequências dos atos e decisões. Ou seja, não param para refletir de forma adequada sobre a situação.

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Essas, dentre outras razões, mostram como o suicídio entre os jovens também está ligado ao imediatismo. Em outras palavras, se alguma coisa não sai do jeito que ele ou ela quer, é o fim do mundo. Nesse casos, o limiar de frustração dessas pessoas fica muito baixo, associado ao pouco amadurecimento psíquico, à falta de diálogo ou possibilidade de ajuda eficaz nos problemas enfrentados. Além dos fatores predisponentes, isso certamente têm contribuído para que muitos jovens tenham tentado, cada vez mais, se matar.

Basicamente, o discurso das pessoa que sobreviveram a uma tentativa de suicídio é que “tentar se matar é uma forma de lidar com o sofrimento”. As duas maiores causas são o desamparo e a incapacidade da pessoa de atender às expectativas pessoais ou impostas pela sociedade, como ser bem sucedido da vida, ter uma relação amorosa estável, ter estabilidade financeira, fazer sucesso, ter filhos, fãs. À medida que falham ou não têm esses projetos atendidos, as pessoas se precipitam e partem para tentar tirar a própria vida.

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Existe uma luz no fim do túnel.

Tenho recebido em meu consultório muitas pessoas que tiveram a experiência de tentar tirar a própria vida. Algumas delas pensaram em se matar para tentar se livrar dos problemas cotidianos. Claro que cada pessoa tem sua explicação ou motivos para isso, mas fico sempre feliz quando conseguimos reverter os casos. E, acredite, muitas vezes de forma ágil e com técnicas e estratégias bastante eficazes.

Por isso, digo sempre às pessoas que o importante é estar atento aos avisos dos que estão ao nosso redor. De uma forma ou de outra, eles sempre dão um sinal de que algo não vai bem. O legal nesses casos, é estar sempre um passo adiante, para evitar a morte.

Os dados estatísticos mostram que oito entre cada dez pessoas que se matam fazem algum tipo de anúncio prévio. Se não avisam diretamente, podem dizer nas entrelinhas, com frases do tipo: “Minha vida não vale nada“; “Eu não vou conseguir“; “Não vou ter forças para enfrentar isso“; “Isso é ruim demais para eu suportar“.

Por isso é sempre bom sabermos analisar o contexto de cada frase dessas, para identificarmos o que elas podem revelar. Se você conhece algum que está sempre repetindo frases assim, não hesite: busque ajuda. Se a família ou os amigos conseguirem perceber os avisos, a morte pode ser evitada.

Inicialmente quero aqui me solidarizar às famílias das vítimas e a todos que se sensibilizaram com esse episódio extremamente triste em nosso país.

Passados alguns dias do massacre que chocou o país, onde o jovem Wellington Oliveira, de 24 anos, matou 12 adolescentes e em seguida se suicidou, no bairro do Realengo-RJ, toda a imprensa brasileira, com repercussão internacional dada a gravidade do caso, ainda discute a tragédia.

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Tragédia inconsolável

Na mesma direção, políticos e autoridades aproveitam o episódio para criar palco falando de segurança pública, desarmamento e outras questões que até podem ser paliativas, mas não resolve efetivamente a questão.

Em acontecimentos como esse, é muito comum em nossa cultura discutirmos muito o ocorrido, procedermos a investigação profunda do passado do agressor e das vítimas, além de criarmos propostas para que o evento não se repita. Todavia, embora motivadas pelo mesmo episódio, em muitos momentos todas essas informações são tratadas de forma separada e isso pode não contribuir efetivamente para que outras tragédias sejam evitadas no futuro.

Por isso, devemos sempre estar atentos ao ocorrido no passado, identificar quais foram consequências desse passado e como tudo isso (junto) pode trazer ensinamentos e dicas para o futuro.

Perfil e dados do massácre.

Até então, de tudo que já foi veiculado na imprensa sobre a tragédia do Realengo, temos condições para tentar compreender os antecedentes que desencadearam o massacre:

Ao que tudo indica, Wellington era alvo de bullying (fonte) e isso, somado a todo o contexto, pode ter culminado na tragédia.

Wellington estudou na escola em que houve o massacre, que ficava a apenas 300 metros de sua casa, o que sugere que ele pode ter escolhido o local como alvo apenas por ser conhecida e acessível (morava perto, ex-aluno).

A suposta carta deixada por ele revela um discurso desconexo, próprio de comportamentos psicóticos. Não fica claro, contudo, desde quando eles estavam instalados no repertório de Wellington: se na infância, ou oriundos a partir de algum episódio recente. E mesmo os depoimentos de quem o conhecia não são suficientes para fazer uma afirmação mais contundente.

Wellington morava só, não tinha amigos, passava a maior parte do tempo na internet, sentia falta da mãe morta e tinha apenas uma irmã para conversar, raramente. A solidão crônica pode induzir quadros de psicose, ou agravá-los. Aliás, pediu para ser enterrado junto com a mãe, o que sugere saudades e desejo de proteção.

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Ele disse, antes do massacre, para vizinhos que ficaria famoso. Isso revela um desejo de ser reconhecido, o que sugere que ele quis imitar outros atiradores suicídas (veja a similaridade que tem com o caso do Realengo com Columbine, por exemplo). Na falta de amigos e modelos de bons comportamentos, ele escolheu ter essas “celebridades” para imitar.

O crime foi premeditado e avisado (para vizinhos que não entenderam), bem como executado com calma e frieza. Ele inclusive treinou o uso de armas de fogos para garantir matar o maior número possível de crianças. O fato de ter sido tão frio e calculado exclui a possibilidade de um “impulso de última hora” estar na raiz do caso. Segundo a irmã, ele era obcecado por terrorismo, homens-bomba e outros fanáticos religiosos suicidas. Wellington revela, em sua carta de suicídio, uma certa crença religiosa de que é puro. (Ele morreu virgem).

Suicídio e bullying

Já foi teorizado que ele não queria punir as crianças, mas salvá-las do pecado. Isso explicaria porque ele pediu desculpas na carta de suicídio por matá-las (com tiros nas testas, para terem mortes rápidas). Se as estivesse punindo por algo, não pediria desculpas. Talvez Wellington acreditasse que as estivesse “salvando-as”.

O fato dele ter matado na maioria meninas, segundo alguns especialistas consultados, também parece sugerir um desejo de “salvar a pureza”. Wellington matou apenas crianças. Poupou professores e outros adultos. Ele pareceu matar apenas pessoas com quem se identificava (jovens que estudaram na mesma escola que ele) e em seguida se matar, aumentando a identificação com elas.

Como entender tudo isso?

Ao matar pessoas com que ele se identifica, talvez estivesse buscando algo sobre si mesmo. Talvez quisesse, em seu delírio homicida, poupar aquelas crianças da vida amarga que teve.

Observe o quanto podemos extrair do histórico de Wellington que nos permite não somente tentar entender o acontecido, mas principalmente agir para que outros não venham a se repetir.

Não basta dar publicidade ao caso, tão pouco criar leis que proíbam vendas de armas de fogo, implantar UPPs ou rotular as pessoas como loucas, neuróticas, psicóticas, perversas, criminosas ou assassinas.

Precisamos pensar que pessoas como Wellington são produtos/vítimas de um contexto, de uma sociedade coercitiva que julga, humilha, onde as pessoas pouco se importam umas como as outras, uma sociedade que exclui; e com tantos outros controles coercitivos criam pessoas capazes de tamanha barbárie.

Teóricos como Skinner, Sidman e tantos outros já denunciaram as consequências de negligenciar os efeitos da coerção que tanto impera hoje no mundo. Enquanto estes alertas não forem valorizados em nossa sociedade, nossos políticos pensarem apenas em fazer palco em cima de catástrofes como essa, as autoridades e todos nós não agirmos diretamente na raiz do problema, vez por outra catástrofes como esta irão acontecer.

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Quase caí pra trás quando vi um profissional analisar a carta de Wellington e afirmar em rede nacional que o assassino tinha traços psicóticos e que por isso fez o que fez. A repórter terminou a matéria dizendo: “Como vimos aí, o assassino era psicótico”. E isso soou como se Wellington fosse exclusivamente culpado pelo ocorrido, toda a sociedade/contexto fossem isentos na questão e o fato de saber que ele era psicótico fosse suficiente para a compreensão do ocorrido. Não. Veja que dessa forma, se outra tragédia voltar a acontecer, muito provavelmente as pessoas vão se apegar a essa referência para tentar justificar o ato: “deve ser mais um psicótico”, quando na verdade deveriam se preocupar em saber como esse “psicótico” foi construído e o que o levou a agir como agiu. Sabendo esses antecedentes podemos agir de forma mais eficaz para evitar outras ocorrências tratando o mal pela raíz.

Se Wellington foi neurótico, psicótico ou perverso, isso é o que menos importa neste momento. O que precisamos tentar entender é como esse neurótico, psicótico ou perverso foi construído e que lições podemos tirar disso para que outros não venham a surgir também.  

Todos nós temos que construir contextos que possibilitem o surgimento de comportamentos incompatíveis com o que aconteceu. O ocorrido no bairro do Realengo foi um dos produtos da deficiência da sociedade em conferir aos cidadãos qualidade de vida biopsicosocial (uso esse rótulo como um atalho para me referir a todos os tipos de influência que determinam o comportamento humano).

Que fique aqui bem claro que não estou em defesa do assassino, porém culpabilizá-lo exclusivamente pelo que aconteceu (como tem feito autoridades, políticos e alguns estudiosos) chamando Wellington de “animal” e “monstro” parece ser muito cômodo, quando o que deveria ser questionado é como tal “animal” e “monstro” foi constituído e quem efetivamente são os responsáveis por esta criação e as consequências que ela traz à sociedade.

Fica o alerta

Que a tragédia do Realengo na semana passada sirva de alerta para criarmos propostas, estratégias e ações para que outras não se repitam. E que todas as informações sejam relacionadas e tratadas em conjunto para que o ocorrido não volte a se repetir. E para isso não ficar apenas na fantasia ou na teoria, cada um de nós precisamos agir em benefício de todos. E uma das minhas preocupações neste momento é o bem estar das testemunhas dessa tragédia e de tantos outros que vivenciaram situações de traumas. Já que temos informações sobre os produtos nefastos da coerção, cabe a nós a divulgação das mesmas da forma mais popular possível, com nossos amigos, parentes, colegas de trabalho…

Em breve um post especial sobre estresse pós traumático.

21/09/2018
Gatilhos para o suicídio Elidio Almeida psicólogo em salvador

Gatilhos para o suicídio. Um alerta aos médicos, familiares e amigos.

Tenho feito uma série de post falando sobre a qualidade de vida emocional dos médicos. Motivado pelos altíssimos números de suicídio identificados entre os médicos nos últimos anos, os posts têm a intenção de alertar profissionais da medicina, familiares e amigos a compreender um pouco mais o impacto emocional que a medicina tem sobre a vida daqueles que atuam nessa área.
11/09/2018
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Quando um médico deve procurar ajuda psicológica?

Quando um médico deve procurar ajuda psicológica? Devemos lembrar que, por trás do estetoscópio, há um ser humano sujeito a todas as condições humanas.
09/12/2017
O que leva uma pessoa a tentar um suicídio? Psicólogo em salvador Elídio Almeida tratamento em salvador

O que leva uma pessoa a tentar um suicídio? Como abordar o assunto?

04/12/2017
tentativa de suicídio psicólogo em Salvador

Bahia registra mais de um suicídio por dia em 2017, sendo que as tentativas não são contabilizadas.

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suicídio terapia psicólogo em salvador Elidio Almeida se matar

Suicídio:
Saiba os 20 sinais que mostram que pessoa pode se matar.

01/02/2014
suicídio psicólogo em salvador depressao-profunda

Suicídio: Compreenda antes que seja tarde demais.

10/04/2011
sociedade psicólogo em salvador

Tragédia no Realengo:
o que isso diz sobre nossa sociedade?

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