Arquivos Pais & Filhos - Elídio Almeida

Pais & Filhos

Iniciar um relacionamento nos tempos atuais não está sendo fácil para ninguém. Sabendo disso, muitas pessoas estão se sacrificando para manter o relacionamento em que vivem. Até aí não teria maiores problemas. A despeito disso, a ideia de sacrifícios numa relação parece ser incompatível com a proposta de bem-estar esperada para um casal. Por isso muitas pessoas vivem numa dúvida constante: Ficar sozinha ou mal acompanhada? Qual seria sua escolha?

A questão maior é que muita gente tem consciência que, mesmo com os sacrifícios ou renúncias, estão infelizes nas suas relações amorosas. Mesmo sem perspectivas de melhoras, elas insistem em fazer o casamento ou namoro dar certo. Isto é algo bem preocupante.

sozinha ou mal acompanhada terapia de casal relacionamento em salvador

É muito frequente nas terapias de casais ou individuais, questões como essas virem à tona. Normalmente os pacientes dizem que, mesmo infelizes, preferem estar juntos. Geralmente alegam que caso se separem, possam provocar traumas nos filhos, temem dividir o patrimônio e, claro, não encontrar outra pessoa para construir uma nova família.

Durante as sessões de terapia costumamos aprofundar bastante as reflexões sobre estes e outros pontos. Frequentemente quebramos muitos paradigmas.

A escolha entre ficar sozinha ou  mal acompanhada.

Pensando nas questões dos filhos, por exemplo, a lógica do pensamento dos pais é a seguinte: “Nossos filhões vão sofrer se nos separarmos”. Concordo, isso é verdade. A maioria dos filhos querem seus pais unidos. O que esses pais não percebem é que irão provocar um trauma ainda maior e de difícil reparação se, mesmo não gostando mais um do outro, permanecerem juntos.

sozinha ou mal acompanhada terapia de casal relacionamento em salvador Elidio

Pais que tentam poupar os filhos de algumas frustrações ou separações, acabam forçando a imagem de uma família feliz que na verdade não existe. Com isso, dão modelos ruins aos seus filhos. Mesmo sem querer mostram aos pequenos um perfil inadequado de família. Mentiras, fachadas e pouca atitude de enfrentamento dos problemas é o que acabam ensinando. 

Manter uma relação de fachada nunca é uma boa opção. Em casos mais graves, a conivência do casal e familiar atinge níveis de infelicidade tão mais drásticos que os próprios filhos podem desejar que os pais se separem. No final das contas, casais assim, terminam provocando um dano emocional ainda maior em todos os envolvidos.

sozinho ou mal acompanhado terapia de casal relacionamento em salvador

Separação é a única solução?

Não. O interessante é que o casal, ou um dos membros, procure ajuda de um psicólogo logo nos primeiros sinais de conflito. Muitas vezes a questão evolui apenas por uma falta de comunicação adequada do casal, ou outras questões que podem ser resolvidas na psicoterapia. Mesmo que a crise do casal já tenha ganhado proporções maiores, é sempre importante consultaram profissional para compreender a situação e propor algumas intervenções para recuperar a relação do casal antes que se torne algo irreversível.  

O importante é que entre estar sozinha ou mal acompanhada, você sempre opte por estar feliz. Porém nunca aceite sacrifícios demasiados em busca dessa felicidade. Lembre-se que relação bem sucedida é aquela que lhe dá prazer, não dor.

Hoje pela manhã gravei uma entrevista muito interessante sobre a solidão vivenciada por muitas pessoas em nossa sociedade atualmente,  especialmente entre os adolescentes.

Falar sobre um tema tão abrangente como a solidão é algo desafiador e gratificante:

Desafiador, pois as causas da solidão variam sempre de pessoa para pessoa. Ou seja, mesmo que haja padrões que se repetem – sobretudo nas formas como esse comportamento é expressado – as causas sempre estarão presentes na história de vida da pessoa solitária e nunca devem ser generalizadas ou comparadas com a história de terceiros. Pois isso poderia favorecer erros.

Abordar este tema é gratificante, pois, dessa forma, é possível problematizar as questões em torno da solidão, favorecendo reflexões que podem ajudar a identificar suas origens e trazer formas mais adequadas tanto nos atos de prevenção como de auxílio às pessoas acometidas por este mal.

Solidão tratamento Elídio Almeida -Psicólogo em Salvador..003

Por isso, aproveitei a entrevista para falar como determinadas características e comportamentos das nossas relações sociais contribuem para que as pessoas sejam solitárias.

As formas altamente exigentes, aversivas ou punitivas com que somos tratados e levados a mostrar sempre as melhores performances para terceiros; associados ao mau uso das tecnologias, redes sociais, inseguranças, individualismos e competições altamente acirradas, têm formados pessoas extremamente despreparadas para lidar com frustrações. E, tudo isso, é ainda mais agravado entre os adolescentes.

Solidão e adolescência.

Pensar na solidão no contexto dos adolescentes é altamente preocupante e merece nossa atenção.

Isso porque é na adolescência – tipicamente um período de desenvolvimento marcante para muitos jovens que estão na transição entre a vida infantil e os desafios da vida adulta – onde ocorre uma pressão muito grande para determinados comportamentos como a autonomia cognitiva, a conquista da segurança emocional, dentre outros fatores.

Dessa maneira, muitos jovens (assim como muitos adultos) quando se veem solitários, podem adotar comportamentos extremos e inadequados para lidar com o sofrimento associado à solidão. Não por acaso, é nessa fase e nesse contexto onde ocorrem muitos processos traumáticos que podem marcar sempre a vida da pessoa, além das incidências dos casos de automutilação ou até mesmo as tentativas de suicídio.

Solidão tratamento Elídio Almeida -Psicólogo em Salvador..003

Durante a entrevista procurei chamar a atenção para as mudanças aparentemente repentinas de comportamento, pois elas podem sinalizar que algo não está funcionando bem e isso pode ser o sinal de alerta para pais, professores, amigos e familiares.

A entrevista será exibida na programação da TV Câmara (sinal digital 61.4), canal da Câmara de Vereadores de Salvador. Além da TV a matéria também estará nas redes sociais da emissora e aqui no blog. Aguardem.

Conforme informei no post anterior, na última sexta-feira, dia 07 de agosto, participei do I simpósio de Educação do Colégio Assunção, em que apresentei a palestra: Relacionamento Pais e Filhos – Limites sim, traumas nunca! O evento, que aconteceu em comemoração aos 60 anos do colégio, um dos mais tradicionais de Salvador, contou com a participação dos funcionários da escola, pais, alunos e membros da comunidade.

Palestra e troca de experiências.

Pra mim, foi uma satisfação muito grande poder dialogar com os participantes, trocando conhecimentos e experiências. Na palestra, procurei abordar aspectos das relações entre pais e filhos, fazendo um apanhado dos aspectos históricos que diferenciam as gerações, as características contemporâneas, as dificuldades encontradas para estabelecer limites e dicas de como cada família pode enfrentar os problemas de relacionamento com os filhos.

Já falamos aqui no blog sobre a importância de termos comportamentos assertivos em nossas relações.

Ser assertivo significa dizer que sabemos expressar adequadamente nossas emoções e sentimentos. Quando conseguimos agir desta forma, temos muito mais facilidade para colocar limites nas relações.

Embora possa soar como agressivo, colocar limites nas relações é simplesmente fazer valer nossos direitos e demarcar, de forma adequada, nosso espaço nos relacionamentos, sejam eles com desconhecidos, colegas de trabalhos, amigos, familiares e, é claro, na relação amorosa.

Mesmo reconhecendo a importância da assertividade e de como colocar limites em determinadas relações, muitas pessoas reclamam da dificuldade que é pôr isso em prática, de forma a não cometer erros ou exageros. Costumo sempre passar para meus pacientes que devemos começar com investidas mais simples até ganharmos prática e força pra experimentar comportamentos mais complexos.

Na oportunidade, fui simpaticamente recebido pelas queridas Irmãs Franciscanas Imaculatinas, que também me prestigiaram com suas presenças. Em tempo, quero agradecer ao colégio pelo convite, especialmente à professora Emília – diretora da instituição – que não mediu esforços para viabilizar minha participação neste evento. Meu muito obrigado a todos!

Esse é o quarto dos quatro posts sobre HIV e Aids em que trago algumas informações úteis sobre o tema. Iniciei esta série com este post aqui [ 1 ]. Leia também os posts [ 2 ] e [ 3 ]. Acredito que você irá gostar!

hiv e aids tratamento psicólogo em salvador bahia

Infelizmente, depois de décadas e reais avanços na conquista de uma tratamento cada vez mais eficaz que sinaliza para a descoberta da cura a qualquer momento, falar em HIV e Aids ainda soa como um ato terrorista. As pessoas fogem como se precisassem se manter distantes para se sentir-se em segurança.

Não só o tema, mas o próprio risco em si, está muito mais próximo, invisivelmente ou não, em nosso meio e por isso devemos – todos – estar conscientes e alertas. Por todos esses motivos, devemos pôr mais informação nessa discussão para podermos ter atitudes mais adequadas não só no combate à Aids, mas também para podermos nos proteger e buscar ajuda e tratamento, se necessário, de forma mais segura e honesta.

Você deve estar lembrado que falei nos posts anteriores [ 1 ], [ 2 ] e [ 3 ] de um vídeo que foi um dos motivadores para que eu escrevesse essa série de posts, não é verdade? Pois bem, vou te apresentar dois vídeos e gostaria que você assistisse cada um deles e respondesse qual deles informa mais e lhe motivaria a fazer um teste de HIV. Assista:

O primeiro é o vídeo da campanha oficial do Governo, contra o HIV e Aids, #partiuTeste. O segundo é um vídeo do Vlog JoutJout Prazer, intitulado de UMA AULA, vídeo que me sensibilizou a escrevesse sobre este tema aqui no blog.

HIV e AIDS: por que temos tanto medo de tocar nesse assunto?

Você deve ter notado como o primeiro vídeo força a associação do TESTE com: a felicidade, novas experiências escolhas, aventuras, sonhos, caminhos, liberdade, bem-estar… Talvez, depois de assistir o primeiro vídeo e refletir, ainda que rapidamente, sobre tudo o que se ouve falar a respeito do HIV e Aids em nossa sociedade. Será mesmo que uma pessoa se empolgaria a fazer o teste?

Na verdade, se pensarmos um pouco, o primeiro vídeo soa mais uma coisa desconexa, quase uma mentira ou uma tremenda enganação. Pois, ao contrário da mensagem que a campanha tenta passar, fazer um teste e descobrir que se tem HIV é sinônimo, dentro da nossa cultura atual, de perder a felicidade. As novas experiências, os sonhos, a liberdade, o bem-estar são fantasias. Ter HIV e Aids hoje em dia é visto como sinônimo de viver num caminho escuro, excluso, isolado e taxado de todos os piores adjetivos que possam ser atribuído a um ser humano. Por isso, o vídeo, ao contrario do que se propõe, soa como enganador, mentiroso, falso e sem credibilidade.

psicólogo tratamento aids em salvador

No segundo vídeo, surge uma coisa nova, esclarecedora, instrutiva e, sim, parece dialogar com muito mais facilidade, usando uma linguagem real, informativa, eficiente e eficaz. Em minha opinião, principalmente pela qualidade do serviço prestado, o vídeo do Gabriel merece muito mais os 15 milhões gastos pelo governo numa campanha que, nitidamente, deixa a desejar.

Ao meu ver, atitudes como essa poderiam ir muito mais além do que o material oficial do governo. Penso que, com estas informações, as pessoas que tiveram comportamento de risco sintam-se muito mais encorajadas a fazer o teste e descobrir se possuem o vírus ou não. Penso, também, que quem iniciou o tratamento e porventura abandonou, pode compreender com a franqueza e propriedade do Gabriel, a importância de aderir e levar a sério o tratamento. Mas, o mais importante é que todas essas informações e conscientização destroem o preconceito, a discriminação e a ignorância, comportamentos ainda mais destruidores que o HIV.

Por tudo isso, mesmo tendo sua importância no combate ao HIV e Aids, já está na hora do Governo se atualizar e ser mais honesto com os dados e com a população que vive aterrorizada e desinformada quanto a questão do HIV e Aids no Brasil. Neste momento, é mais que necessário fazer como o Gabriel, encarar a questão de frente, ter uma postura responsável, honesta, transparente e esclarecedora. Tudo isso, dá muito mais segurança tanto nos atos preventivos, quanto na própria questão do tratamento.

A ideia do Governo de tentar mudar o comportamento sem antes fazer um trabalho de base e valorizar a informação como principal motivador, é vista, pelos seus próprios dados, como ineficaz. O que deixa no ar a pergunta: Se não está dando certo, porque se investe tanto dinheiro e mantém o mesmo modelo de ação?

HIV e adis tratamento psocólogo em Salvador hiv-aids

Por isso, penso que todos devemos nos inspirar no Gabriel Estrela e mergulharmos nas informações atualizadas sobre como podemos agir, independente se você é soropositivo, não contaminado, teve um comportamento de risco, está em dúvida, convivem com alguém que tinha sido exposto ou simplesmente quer se proteger ainda mais,  informe-se e coloque mais INFORMAÇÃO entre o preconceito e o medo.

Porém, é importante lembrarmos que esse quadro não mudará do dia para a noite e não é nada fácil descobrir que você está contaminado com um vírus ainda incurável que pode levar a várias doenças graves. Como é o caso da Aids.

Mesmo sabendo que o preconceito, na atualidade, é muito mais letal que o vírus, muitas pessoas não conseguem se abrir ou buscar ajuda com familiares e amigos. Até mesmo buscar um profissional não é uma tarefa fácil. Contar com um suporte de uma terapia pode ser extremamente salutar, não só para descobrir o que pode ser feito para restaurar suas emoções. Além de obter orientações de como você pode iniciar o tratamento e que passos deve seguir para vencer todo esse momento com o menor sofrimento possível.

Uma coisa é certa: num consultório de psicologia você não sofrerá com a discriminação e nem o preconceito que ronda o mundo lá fora e pode ser um passo inicial para começar um tratamento eficaz . Se em algum momento você passar a conviver ou tiver qualquer contato com o HIV, lembre-se que existe um mundo real, honesto e possível, diferente do que aparece nas campanhas do governo. Pense nisso e viva mais!

Esse é o quarto dos quatro posts  post da série sobre HIV e Aids com algumas informações úteis sobre tema. Há outros três textos anteriores. Caso queira lê-los, clique aqui: [ 1 ], [ 2 ] e [ 3 ].

O tema de hoje é Depressão nos jovens. Já falei sobre a depressão em outros posts, mas é sempre bom abordar mais sobre esse tema tão importante e igualmente preocupante. Segundo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), o diagnóstico de depressão deve considerar:

  • O estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
  • A anedonia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  • A sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
  • A dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  • A fadiga ou perda de energia;
  • Os distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  • Os problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
  • A perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  • As ideias recorrentes de desinteresse no futuro, pensamentos de morte ou suicídio.

Ainda conforme o DSM-IV, a quantidade de sintomas acima serve para classificar tanto a depressão como subclassificá-la em três tipos:

(1) Depressão menor,

(2) Distimia e

(3) Depressão maior.

Oportunamente, falarei destes tipos de depressão em postagens aqui no blog.

depressão em jovens psicólogo em salvador depoimentos

A depressão nos jovens

Como estamos vendo, a depressão interfere drasticamente na qualidade de vida – seja dos jovens ou dos adultos – e impactam em altos custos de energia social e  psíquica. Para considerarmos que uma pessoa esteja com depressão, ela deve estar há pelo menos quatro semanas com mais de cinco dos sintomas listados acima. Obviamente deve-se ter cautela nesse momento, pois pode haver episódios e eventos traumáticos de grande proporção envolvidos, com relativa proximidade temporal, de modo que seriam aceitáveis a presença dos comportamentos depressivos devido ao impacto natural do contexto; por exemplo, o falecimento de um familiar.

Observe que a depressão propriamente dita seria o ápice de um quadro característico da queda de humor generalizado e presente na vida de uma pessoa por mais de quatro semanas consecutivas. Mas, até tornar-se depressivo, o jovem pode passar por dois outros estágios que normalmente antecedem a depressão: a melancolia e a tristeza.

Muitas vezes estes estados comportamentais confundem pacientes, familiares e até mesmo profissionais, por isso, devemos ficar atentos. Entenda.

depressão em jovens terapia em salvador

A melancolia e a Tristeza

A melancolia é um estado comportamental muito parecido com a depressão, porém com intensidade relativamente menor, duração e persistência também diminuídas, muitas vezes, sem razão aparente, mas certamente com uma causa que deve ser investigada para se ter consciência e, consequentemente, autonomia. É como se a melancolia fosse um estágio intermediário entre a tristeza e a depressão propriamente dita.

Por outro lado, a tristeza é pontual, passageira e, normalmente, com causas consciente ou inconscientemente específicas. Por exemplo, é natural que se você perder uma moeda de um dólar americano você fique triste (nível 1), pois o prejuízo seria equivalente a três reais. Para uma quantia um pouco maior, por exemplo, R$ 100,00, já seria possível alguém ficar melancólico (nível 2). Já o caso de Eike Batista é bem mais delicado, não é verdade? Se fosse comigo, seria nível 3 com certeza.

Ficar triste é normal

Vamos lembrar que quando ficamos tristes, introspectivos, melancólicos – em condições normais, obviamente – usamos esses acontecimentos e comportamentos para olharmos para nós mesmos, fazemos reflexões e procuramos meios para aprimorar nossos comportamentos e sair daquela situação ou fazer com que ela não volte a se repetir.

Em meu consultório, por exemplo, sempre recebo demandas de jovens com rótulos de depressão e fico impressionado como muitos pais perderam esse time de compreender seus filhos em função deles mesmos e do contexto em que vivem.

Lógico que também recebo muitos casos reais de depressão nos jovens, mas, em ambas as situações, todos precisam de ajuda e é importantíssimos que haja um diagnóstico diferencial para que seja encontrada a real demanda, a raiz do problema, o que mantém o comportamento que tanto incomoda os jovens e que também tanto preocupa os pais.

ciúme possessivo terapia de casal em salvador

Costumo pensar e planejar meus casos clínicos sempre considerando que se o comportamento mudou, certamente algo no contexto também mudou e é isso que deve ser focado, mesmo diante das preocupações e das evidências de que algo não vai bem. Afinal, não é normal um jovem que antes vivia alegre, feliz, participativo, de repente se isole no seu mundo e fuja de tudo que antes fazia parte da sua rotina. Por isso, não devemos nos contentar apenas com aquilo que vemos e sim ir em busca das causas dessa mudança, para fazermos intervenções eficientes e eficazes no processo. É como se essa mudança de comportamento fosse uma forma encontrada pelo jovem para pedir um help de forma indireta.

Se soubermos identificar e contextualizar cada emoção e cada padrão de humor em seu devido contexto, teremos ações muito mais eficazes, menos preocupações, mais alegrias e uma vida mais repleta de bem-estar. Acredito que somente com intervenção adequada teremos resultados melhores e mais produtivos.

A depressão nos jovens é altamente preocupante. Pense nisso.

Atendendo a mais um pedido de uma leitora do blog, o post de hoje é para falar sobre as causas da depressão em jovens. Desde já, quero agradecer a leitora que me escreveu um e-mail fazendo o pedido, pois realmente é um tema bastante relevante, que tem tido procura constante no meu consultório. Certamente, poderá também ser útil para outras mães que, por ventura, estejam vivendo situação semelhante.

Antes de qualquer coisa, quero destacar que a depressão em jovens não é muito diferente da depressão em outras fases da vida, como na fase adulta ou velhice, por exemplo. Também merece destaque o fato das causas da depressão variarem de pessoa para pessoa, independente da fase do desenvolvimento em que ela se encontre, ou seja, a depressão não tem relação exclusiva com a faixa etária. Porém, em cada período, existem algumas causas que são mais comuns, e é desse padrão da fase adolescente e do início da vida adulta que falarei aqui neste post, com a ressalva de que não necessariamente o que for dito aqui corresponderá a realidade de todas as pessoas, reforçando que cada caso deve ser analisado particularmente por profissional qualificado no tema. Combinado? Ok. Então, vamos lá.

depressãoem jovens psicólogo em salvador terapia

Diagnosticar e tratar a depressão é tarefa do especialista.

Muita gente, seja leigo ou profissional, costuma analisar um caso ou fazer um “diagnóstico” de depressão pegando a patologia e encaixando-a na pessoa. Isso é inadequado e muito injusto, pois alguns traços da depressão são comuns a muitas outras patologias e estados emocionais, o que pode levar a uma rotulação ou a um erro fatal. O legal é sempre procurar compreender o contexto da pessoa que apresenta sintomas ou tendências à depressão (considerando o máximo de possibilidades e variáveis possíveis). Também levar em consideração o caso propriamente dito, as possíveis causas e elementos de manutenção para – a partir do entendimento geral da situação e da patologia – verificar as correspondências entre um e outro. Ou seja, entre o comportamento apresentado e as características da patologia.

É muito comum vermos mães, por exemplo, pegarem todos os sintomas popularmente conhecidos de uma patologia como a depressão e irem em busca dos sintomas no filho. Para tristeza dos jovens, elas sempre encontram muitas características semelhantes e são taxativas no “diagnóstico”: “Meu filho tá com depressão”. Por isso é sempre importante irmos com prudência e parcimônia, lembrando que, para o diagnóstico adequado, qualquer pessoa com suspeita de depressão ou qualquer outra doença deve ser avaliada por um profissional habilitado na questão. No caso da depressão, por um médico ou psicólogo.

depressão em jovens psicólogo em salvador

A depressão em jovens

Não podemos, nesse nosso caminho para compreender as causas da depressão em jovens, deixar de considerar as peculiaridades das fases da juventude. Nós que já passamos por elas devemos recordar quão conturbadas e complexas são essas fases, não é verdade?

É na adolescência e início da vida adulta que muitos jovens começam a ter seus primeiros conflitos existenciais mais latentes, são nelas que geralmente vem a descoberta e (ou tentativa de) experimentação da sexualidade, surgem os conflitos de ser aceito pelos demais, os questionamentos do que ser ou o que fazer na vida pessoal e profissional, vem a necessidade quase que vital de possuir um Iphone, de adoração às marcas, as paixões, a necessidade cada vez maior de grana, vestibular, trabalho, selfies, redes sociais, bandas, gritos, birras… Ufa! Complexo mesmo, não é verdade?

Pois é, se já foi difícil viver isso no passado, imagine nos tempo atuais, onde o isolamento social é uma realidade. Os jovens são cada vez mais vulneráveis às influências culturais, sociais e midiáticas, bombardeados com necessidades que nem sempre poderão saciar. Para se ter uma ideia, muitos dos jovens que frequentam os consultórios de psicologia sentem-se inadequados diante da sociedade que tanto lhes cobra posturas, atitudes e, principalmente, bens materiais que não estão ao alcance da maioria. Somente depois de considerar e entendermos esses contextos e relações é que podemos adentrar no campo patológico da depressão.

Há, no campo científico, muitas classificações para a depressão. Entretanto, o primeiro critério recomendado é verificar se o paciente É ou  ESTÁ deprimido. Acredite, isso por si só já pode dar a tônica ao olhar sobre o paciente e, consequentemente, sobre o tratamento.

depressão em jovens psicólogo em salvador elidiodepressão em jovens psicólogo em salvador elidio

De forma geral e sucinta, a depressão é uma doença que afeta drasticamente nosso repertório comportamental, com a queda drástica do humor, comprometimento da autonomia cognitiva, excesso de pessimismo, desinteresse pelas ações cotidianas e rotineiras, expressiva diminuição dos comportamentos e relações sociais, fortes tendências ao isolamento, presença de comportamentos agressivos, revoltas, além de completa desesperança em todos os aspectos da vida. Para confirmar o diagnóstico de depressão, cinco ou mais sintomas relacionados ao transtorno (veja abaixo) devem estar presentes no repertório comportamental do paciente. Dentre eles, um é obrigatório: humor deprimido ou falta de motivação para as tarefas diárias há pelo menos duas semanas.

Talvez para minha leitora ou para você que está lendo esse meu texto agora, tudo isso sobre depressão não seja novidade. Se isso for verdade, quero apresentar aqui um ponto que considero extremamente importante. Muita gente tem exagerado nos olhares para o próprio filho ou nos diagnósticos de um paciente. Parece que vivemos numa época e num mundo onde ninguém pode mais ficar triste ou melancólico. É como se todos, mesmo diante de episódios aversivos, contextos confusos – como são a adolescência e a juventude -, mesmo quando não conseguem deixar de ser “BV” (boca viagem), quando um jovem não consegue arrumar um namorado ou namorada, não saber que profissão terá no futuro ou, até mesmo, não conseguir desenvolver relações sociais adequadamente, dentre tantos outros fatores, devessem ficar felizes, soltando fogos de alegria. E bem sabemos que não é bem assim, não é verdade? Vamos com calma com tudo isso para não cometermos injustiças e acabar rotulando um jovem com uma patologia, quando, na verdade, ele está vivendo um processo delicado e pode sim estar precisando de ajuda, mas não de um rótulo ou uma patologia que só vão piorar a situação, e aí, sim, pode surgir a DEPRESSÃO.

Leia mais sobre a depressão em jovens clicando aqui.

Forte abraço a minha leitora, espero ter esclarecido ao menos um pouco de um tema tão amplo, complexo e preocupante. Se você também tem alguma dúvida sobre a terapia comportamental, pesquise as publicações já feitas aqui no blog. Se não encontrar, ficarei feliz se puder escrever algo ou responder sua solicitação.

Revista NOVE traz matéria com participação de Elídio Almeida falando sobre virgindade. No dia 26 de junho, o jornal Correio da Bahia levou às ruas de todo o estado sua edição diária com um grande novidade: a revista NOVE. A revista é  fruto do trabalho da segunda turma do Programa Jornalismo de Futuro – uma parceria entre a Facom – Faculdade de Comunicação da Ufba e o Jornal Correio da Bahia.

Em toda a revista, os jovens e promissores repórteres apresentaram riquíssimas matérias e reportagens sobre relacionamentos afetivos, mulheres que amam demais, amores platônicos, amores à distância, sexo, comportamento, virgindade… tudo abordado com enorme habilidade, de forma acessível, levando à população temas tão importantes e de relevância social.

Virgindade psicólogo em salvador elídio Almeida terapia

Virgindade

O tema virgindade foi apresentado pelos jornalistas Darlan Caires e Thais Borges. Nesta matéria, tive a imensa satisfação de falar um pouco sobre o tema, em entrevista cedida a Thais Borges. Durante a entrevista, pude falar rapidamente sobre o histórico e as representações sociais que a virgindade pode ter na vida de uma pessoa e nas culturas, em especial dos adolescentes.

Quero deixar aqui registrado não só minha satisfação por ter participado deste projeto, mas também a satisfação, enquanto cidadão e profissional, pela publicação de tamanha qualidade e pelo trabalho de grande relevância realizado. NOVE (mil) parabéns a todos os envolvidos!

18/09/2018
Palestra escola psicólogo em salvador Elídio Almeida

Palestra sobre depressão em crianças e adolescentes

Muitas vezes, submetemos nossas crianças e adolescentes a tratamentos de caráter duvidoso. Especialmente quando a questão é ansiedade, estresse ou depressão. Quase sempre, tais abordagens negligenciam a necessidade de observar o contexto em que crianças e adolescentes estão inseridos, especialmente suas famílias, a relação dos seus pais e como isso pode repercutir no quadro emocional de pessoas que nem sempre estão preparadas para lidar com determinados sentimentos e emoções.
05/12/2017
sozinha ou mal acompanhada terapia de casal relacionamento em salvador Elidio

Ficar sozinha ou mal acompanhada? Qual seria sua escolha?

09/08/2017
Solidão tratamento Elídio Almeida -Psicólogo em Salvador..003

SOLIDÃO
Elídio Almeida alerta para causas e consequências da solidão.

10/08/2015
palestra psicólogo em salvador escola

Palestra sobre o relacionamento entre Pais e Filhos.

21/07/2015
hiv e aids psicólogo tratamento em salvador

HIV e AIDS: Tudo que você precisa saber sobre hoje.

14/04/2015

Depressão nos jovens também é assunto para o especialista.

12/03/2015
jovem-deprimido-televisao-psicólogo em salvador

Causas da depressão em jovens. Fique atento!

10/07/2012
Virgindade psicólogo em salvador elídio Almeida

Virgindade Revista NOVE traz matéria com participação de Elídio Almeida.

16/03/2012
hiperatividade tratamento em salvador

Hiperatividade
Alguns medicamentos podem trazer ainda mais problemas.

Há algum tempo TDAH era apenas uma sigla. Com o passar do tempo, sobretudo com a facilidade de veiculação de informações pela internet, a sigla tornou-se popular e qualquer pessoa se sente no domínio da informação e habilitada a utiliza-la a seu bel prazer numa verdadeira fábrica de diagnósticos e rótulos.
Agende pelo WhatsApp