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Sexta-feira 13 e o comportamento supersticioso!

Hoje é sexta-feira 13. Não será a primeira e nem a última. Apenas mais uma. No entanto, para os supersticiosos, não é um dia tão simples assim.

Nossa cultura é permeada por diversas superstições, mas poucas dentre elas é tão temida como a sexta-feira 13. Para muitas pessoas, nada é capaz de trazer mais azar do que essa data. Porém, mais do que superstição, o azar atribuído a este dia depende mesmo é do modo como as pessoas encaram certos acontecimentos.

Por isso, é importante entendermos o que são os comportamentos e o pensamentos supersticiosos.

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Sexta-feira 13: entendendo o comportamento supersticioso

O comportamento supersticioso e a crendice humana nada mais são do que associações e crenças que surgem através de uma inclinação que nós, humanos, temos para estabelecer padrões e significados para as coisas, ainda que elas não tenham relação entre si.

Desse modo, a superstição ocorre toda vez que as pessoas não conseguem estabelecer uma relação de causa e efeito entre dois eventos, mas notam coincidências entre eles. Por exemplo, numa sexta-feira 13, quando uma pessoa saiu de casa, aconteceram certas coisas desagradáveis como: pisou no cocô de cachorro, foi assaltada, presenciou um acidente e encontrou com uma pessoa que ela não gostava. Provavelmente essa pessoa concluirá que aquela sexta-feira 13 trouxe muito azar para si e ela ainda levará essa informação para outras pessoas, que também poderão achar que essa data realmente traz má sorte, passando a interpretar os fatos de maneira pré-concebida como azar. Isso porque ela iria descrever a situação mais ou menos assim: “hoje é sexta-feira 13, e tive um dia de completo azar…

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Seguindo a nossa tendência de racionalizar os fatos, certamente você pode estar pensando: “Ah, muita coisa aconteceu no mesmo dia, não pode ser somente coincidência.”

Daí eu pergunto: Por que não? Será que as coisas ruins que aconteceram na sexta-feira 13 daquela pessoa tem mesmo a ver com alguma maldição? Será que a pessoa pisou no cocô por que era sexta-feira 13 ou porque ela estava olhando para um rapaz bonito que passava do outro lado da rua? Será que foi assaltada porque era sexta-feira 13, ou porque sua bolsa estava aberta, vulnerável, mostrando o conteúdo e a dona estava distraída? O acidente aconteceu em razão da data ou porque, pelo menos, um dos motoristas foi imprudente? E a pessoa que ela não gostava foi colocada ali para estragar o dia ou ela, por exemplo, trabalha próximo e passa pela mesma rua todos os dias? E se tudo isso tivesse acontecido em outra data?

Ou seja, tudo vai depender da forma que olharmos e interpretarmos os fatos, mas devemos entender que um acontecimento pode não ter nada, absolutamente nada, a ver com o outro.

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Assim, devemos entender que a sexta-feira 13 e todas as crenças que há sobre ela é fruto de uma associação que o imaginário popular estabeleceu entre a data e o azar. Com isso, as pessoas ficam predispostas a interpretar como má sorte qualquer coisa que possa acontecer nesse dia. Fatos que seriam encarados normalmente em qualquer outro dia, como perder um voo, por exemplo, passa a ser interpretado como azar somente pelo fato disso ter ocorrido numa sexta-feira 13.

E se a pessoa realmente acredita na maldição da data, ela passará o dia todo observando o mundo sob o filtro do negativismo, o que reforçaria ainda mais suas crendices.

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Sexta-feira 13 e suas origens:

Tem uma história que aprendi na faculdade da qual gosto muito e pode ilustrar bem a origem do comportamento supersticioso, como esse que envolve a sexta-feira 13.

Um dia, uma pomba foi colocada em uma caixa onde não havia comida. Essa caixa tinha um dispositivo que oferecia comida a cada 20 segundos, independente do que a pomba estivesse fazendo. Acontece que quando a comida surgiu pela primeira vez a pomba estava (conincidentemente) batendo as asas. Ela foi até o dispositivo, comeu o que foi aferecido e logo em seguida voltou a bater as asas continuamente.

Passados 20 segundos novamente, a comida voltou a aparecer e a pompa imaginou que a comida apareceu pelo fato dela ter batido as asas. A pomba passou então a emitir, constantemente, o comportamento de bater as asas, acreditando que dessa forma a comida viria. E sempre vinha, claro, independente do que ela estivesse fazendo. Coincidiu que ela tava sempre batendo as asas.

Esta história narra um experimento científico feito na década de 1930 pelo psicólogo americano Burrhus Frederic Skinner. Analisando esse comportamento da pomba, pode-se dizer que ela criou uma espécie de superstição. Será que todas aquelas superstições da nossa cultura, tal qual essa da sexta-feira 13 não surgiu mais ou menos como esse experimento da pomba?

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Digamos que nos primórdios da humanidade, uma tribo vivia uma época de seca e grandes dificuldades. Pressionado pela comunidade que que apresentasse uma solução para a seca, o líder resolve então fazer um sacrifício de um animal para agradar aos deuses e assim obter a chuva para salvar a colheita.

Coincidentemente após o ritual caiu uma chuva, que aconteceria normalmente, independente do ritual. Mas todos passaram a crer que  ela só veio por conta da oferenda.

Tudo isso é bem parecido com a situação dos pombos: na crença de um mecanismo que leva algo a acontecer, os seres humanos também são naturalmente levados a hábitos supersticiosos.

 

Superstição e a psicologia

Superstição é isto: uma compulsão a agir de uma forma que não terá qualquer influência no resultado desejado; muito embora possa trazer o alívio de uma suposta explicação para determinados fenômenos.

Os pombos são supersticiosos e penso que a maioria de nós também seja. Fazemos um monte de coisas (que sempre fizeram e aprendemos a fazer também) que não têm nada a ver com o que realmente funciona ou acontece. Contudo, quando colocamos isso na cabeça, ficamos iguais aos pombos:

Não desejamos mudar nosso comportamento, independentemente das evidências que apontem para uma nova e melhor alternativa. Mesmo dotados de mais inteligência que o pombo, parece que acreditamos que é mais fácil ser supersticioso e esperar que a comida apareça de repente no nosso quadrado, ao invés de, efetivamente, buscar as reais causas dos eventos e assim mudar e adequar melhor nosso comportamento.

Quando agimos como pombos, nos comportamos em função de crenças e regras infundadas. Então, este dia tão repleto de superstião pode ser oportuno para você passar a limpo suas crenças.

Se você se levantar e pensar que as coisas serão diferentes, se mudar sua crença, sexta-feira 13 (e todos os demais) poderá ser o seu dia de sorte. Pense nisso!

Dr. Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 98842-7744 Salvador – Bahia
elidioalmeida.com

Elídio Almeida
elidio@elidioalmeida.com

Psicólogo formado pela Universidade Federal da Bahia – Ufba, especialista em Terapia de Casal & Família, membro da Association for Behavior Analysis International (ABAI). Psicólogo clínico, faz atendimento individual, para casais e famílias. Oferece cursos de desenvolvimento pessoal, palestras, orientação vocacional e avaliação psicológica.

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