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Isso é psicológico?

Isso é psicológico? O que você pensaria se, justamente numa hora em que você estivesse sentindo bastante dor, alguém chegasse até você, olhasse nos seus olhos e dissesse: “Isso é psicológico.”

Sim, simplesmente assim: ISSO É PSICOLÓGICO.

Desesperador, não é verdade?

 

 

psicólogo em salvador atendimento-psicologico dor

 

Agora, imagine se esse alguém for uma pessoa da sua família (pai ou mãe, por exemplo), seu psicólogo ou até mesmo seu médico? Parece que essa pessoa estaria dando pouco valor à sua dor ou até mesmo fazendo piada com o seu sofrimento, não é mesmo?

Pois é exatamente dessa forma que a maioria das pessoas se sente quando ouve de forma taxativa, especialmente dos profissionais de saúde, que seus comportamentos ou o que estão sentindo é algo psicológico. Por isso, é importante você saber identificar, diferenciar e lidar de forma adequada com tudo isso.

Um dia desses, conversei com uma garota que estava muito chateada. Ela contou que passara o ano inteiro estudando e se preparando para o vestibular de medicina, porém, nas semanas que antecederam a prova, ela começou a sentir muito mal-estar, com dores nas articulações, náuseas e fortes tonturas. Ela fez vários exames que acusaram normalidade em seu organismo e, para ela, a pior notícia veio quando o médico disse: “Você está bem. Seus exames não apresentaram nenhum desvio e você não vai precisar usar nenhuma medicação. O que você está sentindo é psicológico”. Ela ficou perplexa e entrou em #DesesperoTotal.

 

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Para entender melhor a questão a garota, a família levou-a ao consultório de psicologia, destacando os sintomas que ela referia, a opinião médica e a ideia de que era absurda a possibilidade dela sentir tudo aquilo sem nenhuma causa física ou orgânica aparente. Para eles, a situação não tinha lógica: se há dor, deveria haver algum problema de saúde (físico). A garota também pensava algo parecido. Afinal, para ela sentir o que estava sentindo deveria haver uma causa e esta deveria estar em seu próprio corpo.

No entanto, ao mesmo tempo em que ela endossava as palavras dos que afirmavam não existir razão biológica ou orgânica para aqueles sintomas, pois havia laudos médico comprovando isso, ela sabia o que estava sentido e como aquilo tudo a incomodava.

A situação ficou tão delicada que a garota chegou a pensar que estava ficando louca, que estava delirando ou que estava tendo algum fenômeno sobrenatural. Eram a palavra e sensações dela contra todos os laudos, as opiniões das pessoas e dos profissionais.

O que se passava com ela? Tudo aquilo era fruto da sua imaginação? Seria mesmo algo psicológico?

 

 

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Mas afinal, o que querem dizer quando falam que iso é psicológico?

Parece que quando nos dizem que isso é psicológico, estão dizendo algo mais ou menos assim:  “Não é nada”; “Você não tem nada”; “Você está bem, está tudo na sua cabeça”; “É tudo coisa da sua imaginação”; “É só tirar isso da cabeça”. Em outras palavras, psicológico não é nada, emocional não é nada, “coisas da cabeça” não têm importância. Ou seja, se é algo psicológico, a pessoa tem porque quer e pode deixar de ter quando quiser, pela própria vontade. Verdadeiros absurdos!

Infelizmente esse é o padrão de pensamento e atitude que vemos entre as pessoas. Parece ter se tornado muito comum associar comportamentos emocionais, aspectos subjetivos, características não visíveis e não mensuráveis aos olhos comuns, como algo fantasioso, irreal e delirante.

Então, partindo dessa lógica amplamente divulgada em nosso meio, onde uma pessoa sente uma dor, mas essa dor não é nada ou não existe, estamos atestando que essa pessoa é louca e além das questões inscritas no seu corpo, ela também tem problemas mentais. E era exatamente dessa forma que a garota estava sendo tratada, inclusive, ela própria já estava crendo nisso.

 

 

psicólogo em salvador atendimento-psicologico elídio Almeida

 

 

Devemos esclarecer

Diante dessa situação, comecei a observar que muitas vezes falamos algo e não deixamos claro ou não explicamos para a outra pessoa exatamente aquilo que queremos dizer. Ou seja, não somos assertivos.

Ser assertivo significa dizer que eu comunico minhas ideias e expresso meus pensamentos de forma clara e objetiva, me certificando que a outra pessoa compreendeu meu posicionamento, evitando magoá-la ou diminuí-la (saiba mais sobre assertividade).

A partir daí, percebi que muitas pessoas poderiam estar cometendo alguns equívocos na questão da garota. Por isso, procurei não seguir esse modelo. Para deixar as coisas mais claras e assertivas em nossa relação, perguntei a ela qual era seu entendimento quando alguém diz que algo que se sente é psicológico. Com isso, pude tomar como linha de base (ponto de partida) o conhecimento dela sobre a problemática, alinhar meu entendimento, posicionamento e intervenção. Como já era esperado, a garota confirmou a ideia inadequada sobre os tais comportamentos psicológicos. Com isso podemos ter algo que faço muito em meus atendimentos clínicos no consultório: aulinha de psicologia na qual explico alguns conceitos técnicos durante a terapia.

Antes de falar da aulinha, é preciso destacar como muitas pessoas cometem injustiças e como tratam mal os sentimentos e sofrimentos alheios, muitas vezes por não saber – ou ter a preocupação – de se certificar que aquilo que estão verbalizando é exatamente o que está sendo comunicado e compreendido.

Nas aulinhas de psicologia que acontecem durante minhas sessões de psicoterapia, costumo explicar para meus pacientes o entendimento técnico-científico das causas, formas e consequências dos comportamentos. No caso dessa garota, pude fazer o mesmo e falei para ela sobre somatização e doenças psicossomáticas.

 

 

 

 

Em nosso papo, identificamos que existem diversas situações em que não há causas físicas ou orgânicas para diversas coisas que sentimos. Mas não é adequado entender isso como se fosse uma mentira, um nada, uma fantasia, delírio ou “coisa da cabeça”.

Nós psicólogos, quando dizemos que algo é psicológico, não estamos querendo dizer que aquilo não existe. Na verdade, essa é uma forma de apontarmos que as causas daquele comportamento não são físicas/biológicas (exclusivamente), mas sim emocionais, subjetivas, frutos do próprio contexto e da relação com a pessoa e o meio em que vive. Ou seja, tudo que acontece impacta e altera o nosso funcionamento, o funcionamento do nosso organismo e as relações neles existentes, fazendo com que tenhamos os sinais e sintomas que na maioria das vezes refletem nossa forma inadequada de vida.

Após esse papo da aulinha, a garota sentiu-se mais aliviada. Ela compreendeu melhor a questão e conseguiu buscar a superação e a melhora no seu repertório comportamental. Certamente, tudo o que ela estava sentido tinha causas (físicas ou emocionais) mais profundas e com funções específicas à situação que ela estava vivendo. Na verdade, ela apenas estava somatizando comportamentos inadequados em sua vida. As dores e sofrimentos que ela estava enfrentando cumpriam a função de comunicar que algo não estava funcionando bem em seu ritmo de vida, por isso a psicoterapia seria indicada para ajudá-la a entender melhor tudo isso e encontrar soluções mais eficazes e adaptativas.

 

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Ter um problema psicológico não significa que faltou “força de vontade”. Uma depressão não significa que a pessoa “quer sofrer”. A síndrome do pânico não quer dizer que todos os sintomas passarão se esta pessoa “souber que não tem problemas em seu corpo, mas sim na forma de perceber o mundo e os acontecimentos”. Ser portador do TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo – não significa que para ficar curada a pessoa deve “apenas parar de fazer o que vem fazendo”. Da mesma forma que ser bipolar não é ser “sem vergonha”.

Por tudo isso, fica aqui minha dica para, antes mesmo de disparar para alguém que lhe pede ajuda ou faz um desabafo, que o que ela está sentindo é algo psicológico, emocional ou “da cabeça” dela, você deve se certificar que ambos estejam lidando com a mesma questão ou informação e não fazendo pouco caso dos comportamentos e sofrimentos alheios.

Certamente, você terá muito mais sucesso nos seus investimentos e compreensão dos fatos e fenômenos sendo claro e assertivo, acessando as causas reais e lidando de forma adequada com as pessoas e suas questões subjetivas. E não esqueça, enxergar certas coisas, especialmente as emocionais não é uma tarefa fácil.

Por isso, sempre que precisar, busque ajuda profissional.

Dr. Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 98842-7744 Salvador – Bahia
elidioalmeida.com

Elídio Almeida
elidio@elidioalmeida.com

Psicólogo formado pela Universidade Federal da Bahia – Ufba, especialista em Terapia de Casal & Família, membro da Association for Behavior Analysis International (ABAI). Psicólogo clínico, faz atendimento individual, para casais e famílias. Oferece cursos de desenvolvimento pessoal, palestras, orientação vocacional e avaliação psicológica.

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