Geração Canguru
Jovens adultos que prologam a convivência na casa dos pais.

Geração Canguru – As relações familiares são sempre delicadas e precisam ser administradas com cautela. O convívio entre pais e filhos mudou significativamente nos últimos anos e, em muitos casos, tem sido possível identificar um fenômeno popularmente conhecido por “geração canguru”. Esse fenômeno caracteriza‐se por um prolongamento da convivência familiar. Especificamente, trata-se do caso de jovens adultos que já concluíram a graduação universitária, possuem condições de independência financeira e de terem sua própria moradia, mas continuam morando na casa dos pais.

O termo “canguru” é utilizado numa comparação desses jovens com o filhote do animal símbolo da Austrália, que se agarra à bolsa protetora da mãe.

Em vários momentos da vida, pais e filhos se questionam sobre até quando devem viver sob o mesmo teto e isso pode gerar conflitos entre os membros da família. Para se ter ideia, antigamente, os meninos – e principalmente as meninas – só deixavam a casa dos pais quando se casavam, pois os padrões familiares da época impunham essa condição. A partir dos anos 60, morar sozinho tornou-se um sonho de consumo dos adolescentes, pois era uma das maneiras de ter liberdade e viver as próprias aventuras.

 

 

geração canguru psicólogo em salvador

 

 

Hoje, devido a influências da modernidade, esses modelos não são mais frequentes. Algumas pesquisas indicam que mais da metade dos jovens não deseja sair da casa dos pais, pois, em tempos de liberdade total, não faz mais sentido ter que se mudar para experimentar mais liberdade.

Mas será que isso funciona bem em todas as famílias? Nem sempre. Cada caso deve ser visto de forma individualizada, levando-se em consideração o contexto de cada um.

 

Geração Canguru – cada caso é diferente.

Com a chegada da fase adulta, experimentar a autonomia e a sensação de ter a própria casa, sobretudo imprimir nela sua identidade e hábitos próprios, casando ou morando sozinho, pode ser fundamental para a pessoa construir sua independência e maturidade. Porém, nem sempre os jovens e os pais veem a situação dessa forma e vários motivos podem desencadear esse processo.

 

 

Geração Canguru psicólogo em salvador elidio

 

Podemos citar, por exemplo, as exigências da sociedade em que vivemos, na qual a felicidade está atrelada à posse de bens materiais e, por isso, muitos jovens adultos retardam a saída da casa dos pais para poder poupar um pouco mais antes de alçar seus próprios voos. O risco desse modelo é a perda do limite entre o ideal e o possível, além de denotar uma vulnerabilidade frente às exigências da sociedade.

 

Geração Canguru e dependencia emocional dos pais

Outro ponto a se enfatizar é a dependência emocional, tanto por parte dos pais quanto dos filhos. Alguns pais deixam (e desejam) que o filho permaneça em sua casa, temendo a separação e a distância. Muitos pais tentam suprir a ansiedade e a preocupação em relação ao filho controlando-o. Mantê-lo sob vigilância acalma esses pais.

Há os filhos que receiam encarar um lar solitário ou que ficam inseguros diante da perda da proteção direta dos pais. Isso pode significar lacunas no desenvolvimento pessoal tanto dos pais quanto dos filhos e pode demandar suporte extrafamiliar para gerenciar com mais facilidade as fases de desenvolvimento da vida. Em outros casos, os filhos podem optar por não trabalhar para se dedicar aos estudos. Investem na graduação, pós e mestrado para somente depois pensar em trabalhar, comprar seu próprio apartamento e sair da casa dos pais.

 

 

Geração canguru elidio almeida psicólogo em salvador

 

 

Obviamente todas essas situações podem ser encaradas de forma muito natural e sem traumas em algumas famílias, mas isso não é uma regra. Na maioria dos casos, pode ocorrer acomodação tanto dos pais quanto dos filhos, acarretando prejuízos para todos.

 

O que pode levar um jovem a se tornar um representante da Geração Canguru?

 

Listei acima algumas razões que podem levar o jovem a prolongar sua estadia na casa dos pais. Em cada uma delas, podemos verificar que pelo menos um dos envolvidos pode estar satisfeito com a situação, por exemplo: a mãe que é superprotetora se sente bem em ter o filho sempre sob sua guarda; ainda, o filho, que, para poupar uma grana, prefere morar na casa dos pais.

Se isso for combinado e todos se sentirem confortáveis com a situação, tudo bem. Agora imagine uma situação em que o filho deseja se casar, morar só, mas vive sendo contagiado emocionalmente pelos pais, ou então os pais se sentem lesados por terem que bancar despesas de um filho que pode se manter sozinho? Se isso ocorrer, retardar a saída certamente pode trazer consequências ainda mais graves.

 

 

pais-maduros-frustrados-com os filhos que vivem emc asa psicólogo em salvador

 

Analisar os efeitos da vida moderna e das constantes exigências da sociedade na vida pessoal de cada um, sobretudo na relação familiar, é muito importante para compreender e encontrar melhores formas de agir diante dos fenômenos.

Na geração canguru, muitas vezes encontramos casos de jovens com a síndrome de Peter Pan, ou seja, que têm medo de crescer, pois não se sentem preparados para encarar a vida adulta. Em todo caso, essa é uma situação muito preocupante, pois pode gerar prejuízos não só no desenvolvimento pessoal como também no profissional. O ideal é que cada fase seja vivida de forma natural e sem prejuízos aos demais envolvidos.

Lembrando que devemos levar em consideração as vantagens da modernidade em nossas vidas, mas também  devemos ficar atentos às consequências que essa modernidade traz para todos nós.

 

Dr. Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 98842-7744 Salvador – Bahia
elidioalmeida.com

Elídio Almeida
elidio@elidioalmeida.com

Psicólogo formado pela Universidade Federal da Bahia – Ufba, especialista em Terapia de Casal & Família, membro da Association for Behavior Analysis International (ABAI). Psicólogo clínico, faz atendimento individual, para casais e famílias. Oferece cursos de desenvolvimento pessoal, palestras, orientação vocacional e avaliação psicológica.

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  • Ana
    Posted at 21:21h, 13 Fevereiro Responder

    Sou uma jovem de 27 anos e comecei a trabalhar aos 16 anos. Já trabalhei numa sapataria, em lojas, numa parafarmácia e em call centers. Em todos estes trabalhos fui bem sucedida, visto ser, e citando colegas e chefes ‘uma pessoa inteligente, trabalhadora e atenciosa’. Claro que falta dizer que nunca deixei de estudar por isso, todos estes trabalhos foram em part-time e trabalhos de férias para ajudar a pagar os estudos: Licenciei-me com boa nota e concluí um Mestrado com melhor média ainda. E posso dizer que deu bastante trabalho. Acabado o mestrado consegui trabalho durante quase um ano como bolseira de investigação científica. Trabalho duro, para quem não sabe, pois além de exigir muito mentalmente, também é fisicamente exigente, tendo mesmo tido vários dias de trabalho de 13 horas, alguns fins de semana e ainda levava trabalho para casa (trabalho este sempre feito com vontade, sem nenhum queixume). Terminados os primeiros meses deste contracto foi renovado por mais 4 meses. Terminado este período deixou de haver dinheiro para renovar contracto e fiquei desempregada. (cont.)
    Sempre vivi em casa da minha mãe (que é mãe solteira e não é rica), e nos ultimos meses fui ajudando com uma parte do meu ordenado (bolsa). Agora estou desempregada e não posso ajudá-la, em vez disso sou eu quem precisa de ajuda. Nunca tive direito a qualquer subsídio, nem de desemprego, pois como bolseira não tenho direito a nada disso. Nos anteriores trabalhos nunca tive acesso a um contracto superior a 6 meses, pelo que apesar de já ter descontado para a segurança social, nunca tive direito a subsídio de desemprego. (cont.)
    Procuro activamente trabalho, vou fazendo pequenos trabalhos mal pagos para me manter (dobrar circulares, etc). Tentei arranjar trabalho em lojas (não é um sonho, mas até as coisas se ‘endireitarem’) mas não consegui porque, apesar de ter alguma experiência, tenho ‘demasiadas qualificações’ e sou olhada com alguma reserva pelas gerentes e funcionárias. Nem para trabalhar nas limpezas me querem, mesmo sabendo eu limpar e passar a ferro (coisas que sempre fiz em casa desde os meus 13 anos). (cont.) Entretanto fiz alguns pequenos cursos de formação profissional para adquirir novas competências. Fazer outra licenciatura está fora de questão porque não há dinheiro e, com esta idade eu preciso é de trabalhar para poder construir a minha vida! Não tenho carro (é uma despesa fixa que não posso pagar). Não posso casar. Não posso pedir um empréstimo. Até tenho ideias de negócio mas não me concedem empréstimo: não tenho bens nem fiador. Não posso ainda ser mãe. (cont.)
    Além de tudo isto e a contribuír para a minha revolta, sempre que vou a qualquer repartição pública vejo: pessoas (efectivas) que não trabalham bem, nem se esforçam por melhorar, atendem mal as pessoas e têm limitações a vários níveis. Não falam línguas, não percebem quase nada de informática, não se actualizam e, muitas vezes, nem percebem muito do que estão a fazer. Ora, posto isto… não quero ouvir comentários do género: ‘eles que se façam mas é à vida’… que ‘só por serem licenciados querem grandes empregos’, que ‘estes jovens não trabalham e só querem viver à custa dos pais’! Por mais que existam alguns jovens assim são, de facto, uma pequena minoria e tal argumento não deveria servir para ANIQUILAR UMA GERAÇÃO INTEIRA! (cont.) Falam de pessoas que se fizeram uma licenciatura, se esforçaram de alguma maneira para ter uma vida condigna …uma VIDA À QUAL TÊM DIREITO… pessoas que se têm esforçado até então e nunca tiveram direito a nada! Não estamos a falar de pessoas que nunca quiseram fazer nada na vida, nem que se encostam a subsídios de insersão social ou de desemprego, que nunca se quiseram esforçar porque ‘estão bem como estão’. (cont.) Toda a minha vida me esforcei (e vi a minha família esforçar-se), toda a minha vida trabalhei para poder vir a ter algo mais que ‘uma vida em casa da mãe’… em todos os trabalhos que fiz, fi-los o melhor possível, mesmo não gostando do que estava a fazer. Sou supostamente inteligente (com um QI de 151, querendo isto dizer o que quer que seja…) mas pelos vistos não sou é ESPERTA! Porque apesar de todo o esforço, nunca tive direito a nada! E ainda penso em ir trabalhar para fora. Mas até para isso tenho que primeiro arranjar um trabalho qualquer por cá para poupar algum dinheiro, para não ir sem nada – porque NADA é o que eu tenho! (cont.)
    Que país é este onde além de não haver um único governante confiável … ainda tenho de ver e ouvir comentários estúpidos de pessoas que vêm a realidade de uma forma deturpada, ora através de lindos óculos cor de rosa: ‘jovens façam mas é outra licenciatura, e outra, e mais outra…pode ser que acertem’; ora de alguém que certamente ocupa um cargo quentinho qualquer: ‘não tenho nenhuma formação em particular, terminei o meu 10º ano, arranjei um taxo e aqui fiquei…nem tive de me preocupar … e daqui vocês não me podem tirar…não é que eu seja muito bom profissional mas… tenho os meus direitos laborais de EFECTIVO’… enfim… Em suma, que país (e que gente) de merd*! … e não peço desculpa pela ‘indelicadeza’! Eu tenho direito a construír uma vida, tenho direito a ter um emprego condigno que me permita fazer planos a um prazo mais longo do que os 3 meses de um contracto num call center qualquer… tenho direito a poder ter a minha casa … tenho direito a poder ser mãe… tenho direito a poder VIVER! E são estes os direitos FUNDAMENTAIS que estão a negar a uma geração inteira! Já não posso mais. É TEMPO DE AGIR!

    • Elídio Almeida
      Posted at 22:40h, 13 Fevereiro Responder

      Olá Ana!

      Obrigado pelo comentário. Embora você relate sua trajetória e fale de suas angustias não ficou claro para mim a proposta do seu texto. Se desejar poderemos conversar sobre o tema.

  • Ana
    Posted at 21:21h, 13 Fevereiro Responder

    Sou uma jovem de 27 anos e comecei a trabalhar aos 16 anos. Já trabalhei numa sapataria, em lojas, numa parafarmácia e em call centers. Em todos estes trabalhos fui bem sucedida, visto ser, e citando colegas e chefes ‘uma pessoa inteligente, trabalhadora e atenciosa’. Claro que falta dizer que nunca deixei de estudar por isso, todos estes trabalhos foram em part-time e trabalhos de férias para ajudar a pagar os estudos: Licenciei-me com boa nota e concluí um Mestrado com melhor média ainda. E posso dizer que deu bastante trabalho. Acabado o mestrado consegui trabalho durante quase um ano como bolseira de investigação científica. Trabalho duro, para quem não sabe, pois além de exigir muito mentalmente, também é fisicamente exigente, tendo mesmo tido vários dias de trabalho de 13 horas, alguns fins de semana e ainda levava trabalho para casa (trabalho este sempre feito com vontade, sem nenhum queixume). Terminados os primeiros meses deste contracto foi renovado por mais 4 meses. Terminado este período deixou de haver dinheiro para renovar contracto e fiquei desempregada. (cont.)
    Sempre vivi em casa da minha mãe (que é mãe solteira e não é rica), e nos ultimos meses fui ajudando com uma parte do meu ordenado (bolsa). Agora estou desempregada e não posso ajudá-la, em vez disso sou eu quem precisa de ajuda. Nunca tive direito a qualquer subsídio, nem de desemprego, pois como bolseira não tenho direito a nada disso. Nos anteriores trabalhos nunca tive acesso a um contracto superior a 6 meses, pelo que apesar de já ter descontado para a segurança social, nunca tive direito a subsídio de desemprego. (cont.)
    Procuro activamente trabalho, vou fazendo pequenos trabalhos mal pagos para me manter (dobrar circulares, etc). Tentei arranjar trabalho em lojas (não é um sonho, mas até as coisas se ‘endireitarem’) mas não consegui porque, apesar de ter alguma experiência, tenho ‘demasiadas qualificações’ e sou olhada com alguma reserva pelas gerentes e funcionárias. Nem para trabalhar nas limpezas me querem, mesmo sabendo eu limpar e passar a ferro (coisas que sempre fiz em casa desde os meus 13 anos). (cont.) Entretanto fiz alguns pequenos cursos de formação profissional para adquirir novas competências. Fazer outra licenciatura está fora de questão porque não há dinheiro e, com esta idade eu preciso é de trabalhar para poder construir a minha vida! Não tenho carro (é uma despesa fixa que não posso pagar). Não posso casar. Não posso pedir um empréstimo. Até tenho ideias de negócio mas não me concedem empréstimo: não tenho bens nem fiador. Não posso ainda ser mãe. (cont.)
    Além de tudo isto e a contribuír para a minha revolta, sempre que vou a qualquer repartição pública vejo: pessoas (efectivas) que não trabalham bem, nem se esforçam por melhorar, atendem mal as pessoas e têm limitações a vários níveis. Não falam línguas, não percebem quase nada de informática, não se actualizam e, muitas vezes, nem percebem muito do que estão a fazer. Ora, posto isto… não quero ouvir comentários do género: ‘eles que se façam mas é à vida’… que ‘só por serem licenciados querem grandes empregos’, que ‘estes jovens não trabalham e só querem viver à custa dos pais’! Por mais que existam alguns jovens assim são, de facto, uma pequena minoria e tal argumento não deveria servir para ANIQUILAR UMA GERAÇÃO INTEIRA! (cont.) Falam de pessoas que se fizeram uma licenciatura, se esforçaram de alguma maneira para ter uma vida condigna …uma VIDA À QUAL TÊM DIREITO… pessoas que se têm esforçado até então e nunca tiveram direito a nada! Não estamos a falar de pessoas que nunca quiseram fazer nada na vida, nem que se encostam a subsídios de insersão social ou de desemprego, que nunca se quiseram esforçar porque ‘estão bem como estão’. (cont.) Toda a minha vida me esforcei (e vi a minha família esforçar-se), toda a minha vida trabalhei para poder vir a ter algo mais que ‘uma vida em casa da mãe’… em todos os trabalhos que fiz, fi-los o melhor possível, mesmo não gostando do que estava a fazer. Sou supostamente inteligente (com um QI de 151, querendo isto dizer o que quer que seja…) mas pelos vistos não sou é ESPERTA! Porque apesar de todo o esforço, nunca tive direito a nada! E ainda penso em ir trabalhar para fora. Mas até para isso tenho que primeiro arranjar um trabalho qualquer por cá para poupar algum dinheiro, para não ir sem nada – porque NADA é o que eu tenho! (cont.)
    Que país é este onde além de não haver um único governante confiável … ainda tenho de ver e ouvir comentários estúpidos de pessoas que vêm a realidade de uma forma deturpada, ora através de lindos óculos cor de rosa: ‘jovens façam mas é outra licenciatura, e outra, e mais outra…pode ser que acertem’; ora de alguém que certamente ocupa um cargo quentinho qualquer: ‘não tenho nenhuma formação em particular, terminei o meu 10º ano, arranjei um taxo e aqui fiquei…nem tive de me preocupar … e daqui vocês não me podem tirar…não é que eu seja muito bom profissional mas… tenho os meus direitos laborais de EFECTIVO’… enfim… Em suma, que país (e que gente) de merd*! … e não peço desculpa pela ‘indelicadeza’! Eu tenho direito a construír uma vida, tenho direito a ter um emprego condigno que me permita fazer planos a um prazo mais longo do que os 3 meses de um contracto num call center qualquer… tenho direito a poder ter a minha casa … tenho direito a poder ser mãe… tenho direito a poder VIVER! E são estes os direitos FUNDAMENTAIS que estão a negar a uma geração inteira! Já não posso mais. É TEMPO DE AGIR!

    • Elídio Almeida
      Posted at 22:40h, 13 Fevereiro Responder

      Olá Ana!

      Obrigado pelo comentário. Embora você relate sua trajetória e fale de suas angustias não ficou claro para mim a proposta do seu texto. Se desejar poderemos conversar sobre o tema.

  • Ana
    Posted at 21:21h, 13 Fevereiro Responder

    Sou uma jovem de 27 anos e comecei a trabalhar aos 16 anos. Já trabalhei numa sapataria, em lojas, numa parafarmácia e em call centers. Em todos estes trabalhos fui bem sucedida, visto ser, e citando colegas e chefes ‘uma pessoa inteligente, trabalhadora e atenciosa’. Claro que falta dizer que nunca deixei de estudar por isso, todos estes trabalhos foram em part-time e trabalhos de férias para ajudar a pagar os estudos: Licenciei-me com boa nota e concluí um Mestrado com melhor média ainda. E posso dizer que deu bastante trabalho. Acabado o mestrado consegui trabalho durante quase um ano como bolseira de investigação científica. Trabalho duro, para quem não sabe, pois além de exigir muito mentalmente, também é fisicamente exigente, tendo mesmo tido vários dias de trabalho de 13 horas, alguns fins de semana e ainda levava trabalho para casa (trabalho este sempre feito com vontade, sem nenhum queixume). Terminados os primeiros meses deste contracto foi renovado por mais 4 meses. Terminado este período deixou de haver dinheiro para renovar contracto e fiquei desempregada. (cont.)
    Sempre vivi em casa da minha mãe (que é mãe solteira e não é rica), e nos ultimos meses fui ajudando com uma parte do meu ordenado (bolsa). Agora estou desempregada e não posso ajudá-la, em vez disso sou eu quem precisa de ajuda. Nunca tive direito a qualquer subsídio, nem de desemprego, pois como bolseira não tenho direito a nada disso. Nos anteriores trabalhos nunca tive acesso a um contracto superior a 6 meses, pelo que apesar de já ter descontado para a segurança social, nunca tive direito a subsídio de desemprego. (cont.)
    Procuro activamente trabalho, vou fazendo pequenos trabalhos mal pagos para me manter (dobrar circulares, etc). Tentei arranjar trabalho em lojas (não é um sonho, mas até as coisas se ‘endireitarem’) mas não consegui porque, apesar de ter alguma experiência, tenho ‘demasiadas qualificações’ e sou olhada com alguma reserva pelas gerentes e funcionárias. Nem para trabalhar nas limpezas me querem, mesmo sabendo eu limpar e passar a ferro (coisas que sempre fiz em casa desde os meus 13 anos). (cont.) Entretanto fiz alguns pequenos cursos de formação profissional para adquirir novas competências. Fazer outra licenciatura está fora de questão porque não há dinheiro e, com esta idade eu preciso é de trabalhar para poder construir a minha vida! Não tenho carro (é uma despesa fixa que não posso pagar). Não posso casar. Não posso pedir um empréstimo. Até tenho ideias de negócio mas não me concedem empréstimo: não tenho bens nem fiador. Não posso ainda ser mãe. (cont.)
    Além de tudo isto e a contribuír para a minha revolta, sempre que vou a qualquer repartição pública vejo: pessoas (efectivas) que não trabalham bem, nem se esforçam por melhorar, atendem mal as pessoas e têm limitações a vários níveis. Não falam línguas, não percebem quase nada de informática, não se actualizam e, muitas vezes, nem percebem muito do que estão a fazer. Ora, posto isto… não quero ouvir comentários do género: ‘eles que se façam mas é à vida’… que ‘só por serem licenciados querem grandes empregos’, que ‘estes jovens não trabalham e só querem viver à custa dos pais’! Por mais que existam alguns jovens assim são, de facto, uma pequena minoria e tal argumento não deveria servir para ANIQUILAR UMA GERAÇÃO INTEIRA! (cont.) Falam de pessoas que se fizeram uma licenciatura, se esforçaram de alguma maneira para ter uma vida condigna …uma VIDA À QUAL TÊM DIREITO… pessoas que se têm esforçado até então e nunca tiveram direito a nada! Não estamos a falar de pessoas que nunca quiseram fazer nada na vida, nem que se encostam a subsídios de insersão social ou de desemprego, que nunca se quiseram esforçar porque ‘estão bem como estão’. (cont.) Toda a minha vida me esforcei (e vi a minha família esforçar-se), toda a minha vida trabalhei para poder vir a ter algo mais que ‘uma vida em casa da mãe’… em todos os trabalhos que fiz, fi-los o melhor possível, mesmo não gostando do que estava a fazer. Sou supostamente inteligente (com um QI de 151, querendo isto dizer o que quer que seja…) mas pelos vistos não sou é ESPERTA! Porque apesar de todo o esforço, nunca tive direito a nada! E ainda penso em ir trabalhar para fora. Mas até para isso tenho que primeiro arranjar um trabalho qualquer por cá para poupar algum dinheiro, para não ir sem nada – porque NADA é o que eu tenho! (cont.)
    Que país é este onde além de não haver um único governante confiável … ainda tenho de ver e ouvir comentários estúpidos de pessoas que vêm a realidade de uma forma deturpada, ora através de lindos óculos cor de rosa: ‘jovens façam mas é outra licenciatura, e outra, e mais outra…pode ser que acertem’; ora de alguém que certamente ocupa um cargo quentinho qualquer: ‘não tenho nenhuma formação em particular, terminei o meu 10º ano, arranjei um taxo e aqui fiquei…nem tive de me preocupar … e daqui vocês não me podem tirar…não é que eu seja muito bom profissional mas… tenho os meus direitos laborais de EFECTIVO’… enfim… Em suma, que país (e que gente) de merd*! … e não peço desculpa pela ‘indelicadeza’! Eu tenho direito a construír uma vida, tenho direito a ter um emprego condigno que me permita fazer planos a um prazo mais longo do que os 3 meses de um contracto num call center qualquer… tenho direito a poder ter a minha casa … tenho direito a poder ser mãe… tenho direito a poder VIVER! E são estes os direitos FUNDAMENTAIS que estão a negar a uma geração inteira! Já não posso mais. É TEMPO DE AGIR!

    • Elídio Almeida
      Posted at 22:40h, 13 Fevereiro Responder

      Olá Ana!

      Obrigado pelo comentário. Embora você relate sua trajetória e fale de suas angustias não ficou claro para mim a proposta do seu texto. Se desejar poderemos conversar sobre o tema.

  • Crianças e crianças « Sátrapa
    Posted at 17:00h, 11 Abril Responder

    […] Jovens adultos que passam dos vinte e poucos anos recebendo os mimos dos pais e, por conseguinte, prolongando de modo indefinido a adolescência de marmanjos que já deveria estar no passado há eras e que, […]

  • Crianças e crianças « Sátrapa
    Posted at 17:00h, 11 Abril Responder

    […] Jovens adultos que passam dos vinte e poucos anos recebendo os mimos dos pais e, por conseguinte, prolongando de modo indefinido a adolescência de marmanjos que já deveria estar no passado há eras e que, […]

  • Crianças e crianças « Sátrapa
    Posted at 17:00h, 11 Abril Responder

    […] Jovens adultos que passam dos vinte e poucos anos recebendo os mimos dos pais e, por conseguinte, prolongando de modo indefinido a adolescência de marmanjos que já deveria estar no passado há eras e que, […]

  • Guenia Bunchaft
    Posted at 12:01h, 04 Março Responder

    Oi, Elídio, eu sou psicóloga como vc e achei a sua análise do tema muito interessante e pertinente.Parabéns!
    Abraços
    Guenia
    CRP 05/3644

    • Elídio Almeida
      Posted at 03:46h, 05 Março Responder

      Olá Guenia!

      Obrigado pela visita e pelo comentário!
      Abraços também.

  • Guenia Bunchaft
    Posted at 12:01h, 04 Março Responder

    Oi, Elídio, eu sou psicóloga como vc e achei a sua análise do tema muito interessante e pertinente.Parabéns!
    Abraços
    Guenia
    CRP 05/3644

    • Elídio Almeida
      Posted at 03:46h, 05 Março Responder

      Olá Guenia!

      Obrigado pela visita e pelo comentário!
      Abraços também.

  • Guenia Bunchaft
    Posted at 12:01h, 04 Março Responder

    Oi, Elídio, eu sou psicóloga como vc e achei a sua análise do tema muito interessante e pertinente.Parabéns!
    Abraços
    Guenia
    CRP 05/3644

    • Elídio Almeida
      Posted at 03:46h, 05 Março Responder

      Olá Guenia!

      Obrigado pela visita e pelo comentário!
      Abraços também.

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