autoestima-baixa-tratamento-psicológico

Sentimento de culpa. Entenda as causas.

Você sabe o que causa  sentimento de culpa? No post “Você sabe dizer não?” falei um pouco sobre assertividade, um tipo de comportamento que torna você capaz de agir em benefício de seus próprios interesses, expressando seus sentimentos de forma clara, sincera, sem constrangimentos e sem ferir outras pessoas.

sentimento de culpa terapia de casal em salvador elidio

Hoje vou falar sobre sentimento de culpa, um oposto do comportamento assertivo, que se instala quando agimos de forma inadequada e acabamos guardando nossos desejos, cedemos às vontades alheias e essas ações nos trazem prejuízos e arrependimentos.

Quando fazemos algo que julgamos inadequado ou que fere convenções morais ou princípios éticos, sejam eles criados por nós mesmos ou pela sociedade, ficamos expostos à possibilidade de sermos punidos. Por exemplo, quando uma jovem afirma: “Não vejo graça nenhuma nesta festa, pois sei que meu pai está aborrecido comigo por eu ter vindo”, ela sente-se culpada, pois entende que depois vai ter que enfrentar o aborrecimento do pai, as broncas ou até mesmo o corte da mesada. Ou ainda, quando um vestibulando diz: “Não consigo me divertir durante os feriados, pois fico o tempo todo pensando que deveria estar estudando”. Neste caso, o sentimento de culpa surge em função da possibilidade dele ser punido com a reprovação no vestibular se seus concorrentes se saírem melhor na prova.

sentimento de culpa psicólogo em salvador

A pessoa que se sente culpada experimenta várias sensações desagradáveis como:

  • raiva de si mesma
  • preocupação excessiva com a opinião dos outros
  • mal-estar
  • dificuldade de assumir responsabilidade pelos próprios atos
  • sente-se rejeitada ou vítima da situação
  • dificuldade de expressar os reais sentimentos
  • não consegue dizer “não”
  • tem baixa autoestima
  • procura agradar fazendo algo pelos outros e raramente para si mesma

 

A grande questão é que, além de enfrentar todos esses comportamentos que estão atrelados ao sentimento de culpa, a pessoa acha que o erro está nela, o que pode agravar ainda mais a situação.

 

Como se instala o sentimento de culpa?

Como procurei mostrar nos exemplos acima, a culpa se instala em função de haver um julgamento da ação e possivelmente uma punição caso ela não seja aprovada. Ou seja, o sentimento de culpa não surge pelo fato de ter ido à festa ou está curtindo o feriado, mas sim pelo julgamento e desvio do enfoque da ação, que normalmente considera a pessoa culpada.

Para ficar mais claro, vamos pensar o seguinte: o filho faz algo que a mãe não aprova e ela tenta puni-lo verbalmente, dizendo: “Estou triste com o que você fez”; “Sua atitude me entristece”; “Não esperava isso de você”… Observe que as verbalizações da mãe tornam o filho culpado pelos seus atos: “por sua culpa, não dormi”; “por sua causa, seu pai brigou comigo”; “você é culpado da minha tristeza”; “você quer matar sua mãe?”; “não aguento mais você”… O filho que se sente culpado não tem uma visão crítica sobre a função do comportamento da mãe acaba admitindo que seu comportamento (ou, até pior que isso, que é ele) que gera sofrimento na mãe. Como o sofrimento da mãe é algo desagradável, logo, nada mais provável, do que ele reduzir a frequência da ação ou se voltar a fazer, sentir-se culpado por gerar sofrimento à mãe.

sentimento de culpa terapia de casal em salvador

Na psicoterapia, você pode aprender a detectar o funcionamento das condições em que o sentimento de culpa se instala, como ela atinge, não somente a  pessoa que se sente culpada, mas também as demais pessoas envolvidas no contexto, de forma a avaliar a situação criticamente e ter comportamentos mais adequados e assertivos.

Todo esse processo envolve emitir comportamentos que minimizem a possibilidade de punição (autopunição ou punição por terceiros) e aumentar a probabilidade de sucessos de seus atos. O terapeuta procura levar o paciente a reconhecer que emitir comportamentos “inadequados” é fruto do contexto e não de “culpa” ou “responsabilidade” pessoal.

Se há algo responsável pelos comportamentos emitidos inadequadamente, certamente perpassam pelo contexto e pelas relações. Por isso, os esforços de mudança devem ser dirigidos para o contexto e para as relações, não especificamente sobre a pessoa de forma particularizada. Como costumamos sempre dizer: “para obtermos respostas diferentes, devemos ter comportamentos diferentes”.

 

Dr. Elídio Almeida
Psicólogo | CRP 03/6773
(71) 98842-7744 Salvador – Bahia
elidioalmeida.com

Elídio Almeida
elidio@elidioalmeida.com

Psicólogo formado pela Universidade Federal da Bahia – Ufba, especialista em Terapia de Casal & Família, membro da Association for Behavior Analysis International (ABAI). Psicólogo clínico, faz atendimento individual, para casais e famílias. Oferece cursos de desenvolvimento pessoal, palestras, orientação vocacional e avaliação psicológica.

12 Comments

Deixe uma resposta